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DOSSIÊ | Jair Bolsonaro




Atualizado em 3 de abril de 2017


- O partido no qual Bolsonaro passou a maior parte de sua vida política foi o PP, Partido Progressista - antes com outros nomes, mas o mesmo partido. Curiosamente, é o partido com o maior número de políticos corruptos, vários deles ligados aos casos do Mensalão e da Operação Lava-Jato, além de muitos dos fortes aliados do PT. (Fonte)


- Ficou conhecido no exército após iniciar um motim por aumento de salários. Chegou a ser preso, pois violou ordens de seus superiores, mas foi absolvido na Corte. Após isso, ele aproveitou a fama e virou vereador pelo PDC - Partido Democrata Cristão, em 1988. (Fonte)



- Em entrevista concedida ao programa Câmera Aberta, de 1999, Jair Bolsonaro disse, com todas as letras, que defende a guerra civil como única alternativa para resolver o problema do Brasil. Disse, também, que defende a morte de seus oponentes políticos e que por ele estaria tudo bem se alguns inocentes morressem. Outra coisa dita na mesma entrevista, sem tirar e nem por, é que para ele o voto não resolve coisa nenhuma, o que é estranho para alguém que já àquela altura estava em sua terceira legislatura como deputado federal. (Fonte)

- Em 1999, a Folha de São Paulo, em sua sucursal de Brasília, publicou uma nota a respeito do deputado. Na época ele foi descoberto em um pequeno esquema de nepotismo ao usar verbas da Câmara para empregar a sua companheira, Ana Cristina Vale, o pai e a irmã dela. O pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio, e a irmã, Andréa de Assis, foram contratados de forma irregular pelo gabinete do deputado. Ele disse que não praticava nepotismo. "Eu estou me divorciando da minha primeira mulher. A Ana Cristina é minha companheira. Não somos casados. Portanto, não são meus parentes", disse em entrevista. (Fonte)



- Em um programa de TV, em 1999, ocorreu um debate que envolvia Bolsonaro, Jandira Feghali e outra figura do mesmo partido de Bolsonaro chamada Paulo de Almeida. Durante o programa, Jandira e Bolsonaro discordam apenas sobre a questão da ditadura militar, mas no restante concordam em tudo. Inclusive, aos 19 minutos, é possível ouvir Bolsonaro dizendo "Agora a Jandira subiu ainda mais no meu conceito." Eram quase amigos. (Fonte)



- Neste mesmo programa ele defendeu Paulo Maluf, e não foi a única vez que fez isso. Inclusive, é possível que Jair Bolsonaro tenha recebido dinheiro sujo para financiar suas campanhas. Ele próprio afirmou, em fevereiro de 2015, que "não sabe" se recebeu dinheiro sujo de Youssef (o doleiro no escândalo da Petrobrás). (Fonte)

- Em dezembro 2002 Bolsonaro procurou Lula para conversar. Ele queria indicar José Genoíno (PT) e Aldo Rebelo (PCdoB) para o Ministério da Defesa. Em entrevista dada para a Folha de São Paulo, ele confirma ter votado em Ciro Gomes e Lula naquele mesmo ano. Lula deu um chá de cadeira e ele foi embora sem ter conseguido a conversa.  (Fonte 1) - (Fonte 2)



- Bolsonaro sempre foi contra as privatizações. Em entrevista ao Jô Soares, chegou a afirmar que FHC deveria ser fuzilado por ter, segundo ele, privatizado aquilo que era o "patrimônio do povo brasileiro", ignorando o fato de que sem a privatização da Telebrás brasileiro nenhum, hoje, teria acesso à internet banda larga e telefone com tarifa baixíssima. Em outra entrevista ele também disse ser contra a privatização da Petrobrás. (Fonte 1) - (Fonte 2)


- De 2005 a 2010 foram diversas as vezes em que Bolsonaro declarou apoio à ditadura militar, por vezes dizendo que foi o melhor período da economia - ignorando, de propósito ou não, que foram os militares que criaram os maiores elefantes brancos, que foram eles que criaram o BNDES, sem o qual o PT teria desviado muito menos, e foram eles que detonaram completamente a economia gerando a hiperinflação que veio a assolar o país anos depois. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Em 2010, Jair Bolsonaro aparece na lista com vários outros deputados que votaram a favor de aumento de salários para eles próprios. O aumento em questão foi um dos maiores da história (mais de 80%). (Fonte)

- Em 2011, Bolsonaro disse em um programa de TV que um garoto afeminado tem que levar porrada pra virar homem. (Fonte)

- Apesar de sempre ter dito que é contra o desarmamento, talvez a sua única bandeira conservadora-liberal, a verdade é que Bolsonaro nunca fez nada para impedi-lo. Ele sempre esteve mais preocupado em "detonar comunistas", o que é uma hipérbole para o fato de ele falar alto no microfone, algo inútil e dispensável. Quem realmente fez o projeto de lei que pode revogar o desarmamento foi o deputado Rogério Peninha, do PMDB. (Fonte)

- Apesar de frequentemente dizer que não tem nada contra os gays, as declarações realmente homofóbicas de Jair Bolsonaro são diversas e frequentes. Em uma entrevista dada ao programa da Sônia Abrão, o deputado afirma que sangue de homossexuais não é confiável para doação (desconsiderando que antes das doações são feitos exames de sangue), e em outra entrevista mais antiga, de 2011, o mesmo disse que preferiria ter um filho morto do que um filho gay. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em maio de 2014, Bolsonaro disse que gostaria de ser vice na chapa de Aécio Neves. Hoje ele nega, seus fãs repudiam o PSDB, mas quem não aceitou a parceria foi o próprio Aécio. (Fonte)

- No início de 2015, Jair Bolsonaro foi citado como um dos parlamentares investigado na farra das passagens, um escândalo de pequena proporção que apontava mais de 200 parlamentares por, supostamente, terem utilizado as passagens aéreas cedidas pelo Congresso para fins particulares. No fim das contas, a história acabou sendo esquecida. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em 2015, Bolsonaro votou a favor de uma emenda em um projeto de lei que pretendia aumentar impostos. Seus fãs negaram, mas ele não. Em resposta, quando questionado, disse que votou a favor porque o PSOL votou contra, mostrando que está lá não pra ajudar você, mas pra aparecer. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Fãs de Jair Bolsonaro atribuem a ele a PEC do Voto Impresso, tratando o tema como uma vitória do deputado. No entanto, verificando diretamente no site oficial da Câmara dos Deputados, consta que o projeto é de autoria de Leonardo Picciani, do PMDB, e não de Jair. Para justificar, alguns fãs do deputado alegam que ele teria pedido a Picciani para apresentar o projeto, alegando perseguição. Seria Bolsonaro, então, amigo de Picciani, a ponto de lhe pedir favores? (Fonte)

- Em 2015, Jair Bolsonaro fez diversas declarações contra os imigrantes no Brasil. A mais chocante, no entanto, é a declaração em que ele chama haitianos de "escória da humanidade", colocando-os lado a lado com radicais islâmicos, a despeito do fato de haitianos virem para cá com finalidades totalmente distintas, como procurar emprego e construir uma vida. (Fonte)

- De uns anos pra cá, Bolsonaro tem fingido que é liberal. Posta foto com livro do Mises e da Ayn Rand, fala que apoia "livre-mercado", e isso fez com que vários liberais acreditassem que "ele mudou." No entanto, nota-se que sua defesa do tal liberalismo é confusa. Na insistência em protegê-lo, liberais dizem que ele defende o "liberalismo econômico", o que não é verdade. Em entrevistas bem recentes, inclusive para o canal do Nando Moura, no Youtube, o deputado disse que adotaria medidas protecionistas para o mercado de bananas, e disse o mesmo em entrevista já linkada anteriormente, além de defender o corporativismo, que é uma medida anti-liberal. (Fonte)

- Em entrevistas mais recentes, Bolsonaro se contradiz sobre economia e sobre si mesmo. Especialmente no ano de 2015, ele deu entrevistas dizendo jamais ter apoiado a ditadura, o que é mentira. Depois, em outra entrevista, apoiou de novo a ditadura. Em entrevista dada em 2016, ele apoiou novamente o Regime Militar, que segundo ele não teve nada de errado. (Fonte - Neste caso, vejam os vídeos da mesma entrevista em sequência)

- Numa entrevista concedida à Rádio Gaúcha, em janeiro de 2016, Bolsonaro soltou uma frase que é, no mínimo, uma pérola da incoerência. Ele disse: "Na ditadura, tinha liberdade de imprensa, mas algumas eram censuradas." Esta frase é completamente sem nexo e denota que ele provavelmente é a favor de uma imprensa controlada pelo Estado, como na Venezuela de Chávez e Maduro. (Fonte)

- Em duas entrevistas dadas em 2016, Bolsonaro deixou claro ser contra mulheres no mercado de trabalho, sendo uma delas para a ativista de esquerda Ellen Page. Alguns podem argumentar que ela ser de esquerda desmerece o documentário e a entrevista. Pode ser que sim, mas ainda assim o que vemos no vídeo é Bolsonaro dizer, com todas as letras, que a existência de gays (o que ele considera anormal e abominável) é causada pelo fato de mulheres trabalharem fora de casa. No mesmo vídeo ele compara bater em gays com agredir pessoas violentas, como se homossexualismo fosse comparável a algum tipo de crime. (Fonte)

- No dia 17 de abril de 2016, em seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, o deputado Jair Bolsonaro aproveitou para declarar uma homenagem ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador da Ditadura Militar que teria, supostamente, torturado Dilma Rousseff (carece de provas). Depois da votação ele reforçou este posicionamento em diversos vídeos. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Ainda no mês de abril, a UBE (União Brasileira de Escritores) entrou com uma denúncia contra Jair Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional por conta de seu discurso, considerado apologia a tortura. (Fonte)

- Em 1º de maio de 2016, fãs de Jair Bolsonaro organizaram um ato em apoio ao deputado. No entanto, foi um enorme fracasso. Algumas cidades reuniram menos de vinte pessoas e até mesmo no Rio de Janeiro, estado pelo qual ele foi eleito, as manifestações tiveram baixíssima adesão. (Fonte)

- Bolsonaro virou réu no Supremo Tribunal Federal devido a ofensas trocadas com a também deputada Maria do Rosário, do PT, em ocasião anterior. A deputada havia na época protocolado denúncia contra ele, mas o STF veio a aceitar somente no dia 21 de junho. A razão alegada pela acusação e que foi aceita no caso é de que Bolsonaro teria incitado ao estupro por fala direcionada contra a deputada em questão. (Fonte)

- No mesmo dia em que virou réu no STF, Bolsonaro fez um apelo pedindo por clemência, alegando que por ser parlamentar deve ter imunidade em sua liberdade de expressão. O pedido de clemência acabou irritando muitos de seus fãs, que consideraram a atitude covarde. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Ainda no mês de junho de 2016, devido a sua declaração em homenagem ao Coronel Brilhante Ustra, feita no dia 17 de abril durante a votação pelo impeachment de Dilma, o deputado Bolsonaro passou a responder um processo disciplinar no Conselho de Ética, que pode resultar na cassação de seu mandato. (Fonte)

- Outro ato em apoio ao deputado foi fracassado. Este ocorreu no primeiro domingo de julho de 2016, dois meses após o ato anterior, reunindo cerca de 300 pessoas em São Paulo e apenas 100 no Rio de Janeiro, segundo dados da própria Polícia Militar. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- No mês de setembro de 2016, uma foto em que Jair Bolsonaro aparece ao lado de um homem que, num primeiro momento, foi chamado de "Hitler Fake", dada a semelhança visual entre ele e o falecido líder nazista, surgiu nas redes sociais. A princípio a ideia foi associar a imagem de Bolsonaro ao nazismo, como sempre fazem. Posteriormente, a coisa acabou ficando mais ou menos explicada. O tal "Hitler Fake" é na realidade um ativista muçulmano chamado Sheik Ahmad Mohhamad. Aparecer em uma foto, contudo, nem chegaria a ser um grande problema. O verdadeiro problema veio depois, quando a família Bolsonaro se organizou nas redes sociais para tentar jogar a história para baixo do tapete, alegando sequer conhecer o homem. Como este blog bem apurou na época, a família não só o conhecia como, além da foto com Jair, o sujeito já havia aparecido em sessões da Câmara nas quais Carlos Bolsonaro, vereador do Rio, o convidou para ir. Além disso, Flávio Bolsonaro, também filho de Jair, doou dinheiro para a campanha do sujeito, que era candidato a vereador pelo PSC. Ou seja, toda a família mentiu dizendo não conhecer o sujeito. (Fonte

- Em outubro de 2016, quando o país inteiro discutia a PEC 241, proposta que visava limitar as despesas do governo como medida de austeridade, Jair Bolsonaro gravou um vídeo dizendo ser contrário a proposta porque, segundo ela, a mesma "prejudicaria os militares". Menos de 24 horas depois, por conta de duras críticas feitas por seus seguidores, ele voltou atrás e gravou outro vídeo dizendo que iria votar a favor, o que ele de fato acabou fazendo. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3)

- Em dezembro de 2016, veio a tona a informação de que Eduardo Bolsonaro, filho do deputado Jair e também deputado federal, teria usado um vídeo adulterado sobre a cuspida de Jean Wyllys contra seu pai, ocorrida no dia 17 de abril. O PSC entrou com recurso no Conselho de Ética para exigir uma punição contra o deputado do PSOL, no entanto, o caso pode se voltar contra o próprio partido e, em especial, contra os dois deputados da família Bolsonaro. Por pura estupidez, tentando comprovar que o cuspe de Jean foi premeditado, Jair Bolsonaro poderá se dar mal ao ter usado um vídeo adulterado. Quem apurou o caso, aliás, foi a Polícia Civil. (Fonte 1) - (Fonte 2)

- Em 20 de fevereiro de 2017, em votação sobre a privatização da CEDAE na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, que é filho de Jair, votou contra a privatização da CEDAE, fazendo coro com sindicatos petistas, deputados do PSOL, PCdoB e PDT. (Fonte)

- Em 21 de fevereiro de 2017, Jair Bolsonaro publicou um vídeo do jornalista Ricardo Boechat, de extrema-esquerda e apoiador do PT, em sua página oficial no Facebook. No vídeo o jornalista aparece falando que teve um diálogo com o deputado pelo telefone e ele afirma, de forma clara, ser amigo pessoal de Jair desde os tempos em que o mesmo ainda não era político. (Fonte)

- Em 25 de fevereiro veio a tona a informação de que Jair Bolsonaro pode estar envolvido, direta ou indiretamente, no motim organizado por policiais no Espírito Santo, e que uma das lideranças do movimento pode ser o amigo pessoal de Jair, o ex-deputado Capitão Assumção. O motim dos policiais gerou prejuízos bilionários ao comércio e à indústria capixaba, além de ter gerado quase 200 mortes e estupros. Toda a movimentação dos policiais foi ilegal, inclusive porque eles estavam com os salários em dia e todos os benefícios pagos. Suspeita-se que o movimento foi feito com objetivos políticos. (Fonte)

- Em 29 de março, em votação na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro votou mais uma vez ao lado do PCdoB, PT e PSOL, se posicionando contra a PEC que pretendia cobrar mensalidades para cursos de pós-graduação. Eduardo Bolsonaro e Marco Feliciano, do mesmo partido (PSC), votaram da mesma maneira. (Fonte)

- No dia 1º de abril, em sua página oficial no Facebook, Jair Bolsonaro omitiu dados de uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgando somente um dos cenários no qual aparecia em segundo lugar, e escondendo os outros dois cenários nos quais ficava em terceiro. Ele omitiu os cenários que incluíam João Doria e Geraldo Alckmin, justamente dois nomes de São Paulo em uma pesquisa que foi realizada no estado de São Paulo. (Fonte)

- No dia 2 de abril de 2017, o jornal Estadão publicou uma longa matéria a respeito de Jair Bolsonaro, que chegou a conceder-lhes uma entrevista. Nesta entrevista, o então deputado afirmou que gostaria de colocar o ex-governador do Piauí, Mão Santa, como seu vice na chapa, e que colocaria Delfim Netto, comunista e colunista da Carta Capital, como seu conselheiro. (Fonte 1) - (Fonte 2) - (Fonte 3) - (Fonte 4)

- Ainda em 2017, durante entrevista no programa The Noite, de Danilo Gentili, o deputado Jair Bolsonaro mentiu diante de todo o público sobre o ocorrido em 2002. Ele negou ter sugerido os nomes de Aldo Rebelo e José Genoíno para o Ministério da Defesa. Contudo, as evidências estão no Diário da Câmara, conforme mostrado anteriormente. (Fonte)


Conclusão: Bolsonaro não mudou. Ele está apenas agindo como agiu em toda sua vida, como agiu na época do quartel, ou como agiu em 2002 ao apoiar o PT numa época em que todos apoiavam o PT. Ele percebeu a onda liberal crescente, viu que estão carentes de representantes, e entendeu que ali havia um bom nicho de votos. Quem acredita que ele mudou está inebriado por uma boa propaganda, por uma onda. Bolsonaro não é mais do que o novo Collor. Pode não ser corrupto, como muitos dizem, mas Leonel Brizola e José Alencar (que chegou a ser vice do Lula) também não foram e nem por isso eram boa gente.
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