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Aprenda a debater (pt. 1) - Nem todo debate deve ser feito

Nas artes marciais, o bom lutador é aquele que domina a arte, mas o excelente é aquele que domina a arte e compreende suas próprias limitações. Há certas lutas que devem ser evitadas ou, quando possível, pelo menos adiadas. Não há sentido, do ponto de vista tático, um bom lutador se arriscar a ser humilhado em um combate no qual suas chances são muito próximas de zero.

Trazendo isso para o campo político, temos diversas situações de desvantagem estratégica que, algumas vezes, têm que ser evitadas. A verdade é que alguns socos podem ser bloqueados, mas por vezes a melhor defesa é a esquiva. É por isso que nem todos os debates devem ser feitos.

Como saber se um debate não deve ser feito?

Não há fórmula mágica, mas há quase sempre a possibilidade de se fazer uma rápida análise sobre vantagens e desvantagens. Muitas vezes um desafio ou uma provocação podem ser armadilhas, e é comum que um inimigo esperto queira te atrair para uma região na qual ele possui vantagem sobre você.

Em 2013 fui convidado a participar de um debate público. Fui convidado, aliás, por meus inimigos. A ideia era debater sobre as manifestações de julho daquele ano e, por trás disso, havia o claro objetivo de fortalecer a narrativa deles. Na época, embora eu já tivesse boa parte dos conhecimentos que possuo hoje, havia uma enorme desvantagem: eu não tinha seguidores, era pouco conhecido. Não haveria a menor possibilidade de me organizar a tempo e conseguir levar uma plateia para me apoiar.

Qual era a situação? Um debate em que eu seria colocado na sabatina com outras três pessoas, todas elas alinhadas entre si, em um ambiente no qual o público inteiro estaria contra mim e no qual eu jamais conseguiria converter alguém, muito menos expor a hipocrisia de um oponente, pois todos estavam entre amigos. Aliás, havia até mesmo a possibilidade de que eu mal conseguisse falar, certamente seria interrompido logo que dissesse algo mais "radical" do ponto de vista deles.

Esta era uma situação na qual eu não teria vantagem nenhuma, não haveria nada de útil para mim. Para que eu iria? Obviamente, recusei o convite inventando uma desculpa qualquer. Porém, dois anos depois, em 2015, recebi a informação de que ia rolar a tal Conferência Municipal da Juventude, um espaço voltado para esquerdistas concordarem entre si e criarem pautas para políticas públicas. Na ocasião eu já tinha um certo número de seguidores e também tive mais tempo para pensar em uma estratégia, então decidi participar. Darei mais detalhes sobre isso em outro momento, agora o foco é outro.

O ponto aqui é que não devemos ser valentes, devemos ser astutos. Para quê aceitar uma provocação se você não tem absolutamente nenhuma vantagem em revidá-la? É mais válido ter paciência e sobriedade, aguardar o momento certo e então agir quando seus adversários não estão preparados. Como liberais ou conservadores, nós já possuímos a vantagem natural de não precisar mentir. Diferentemente de nossos adversários, a mentira não é essencial para nossa sobrevivência, só o que nos falta é a ardileza, pois isso eles têm de sobra.

EXCEÇÃO:

Esta regra é válida para casos nos quais você tem escolha. Em qualquer situação na qual você esteja encurralado, na qual sua reputação ou mesmo sua vida estejam em jogo, o certo é enfrentar, bater de frente e agir com toda a força e ofensividade que for possível. Se você realmente não puder evitar o debate, então debata, mas faça de forma que consiga arrancar uma vantagem à força, apele usando suas melhores ferramentas e aja para que seu oponente se sinta ao menos balançado.
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