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Ciro Gomes, o que arregou debate com Saraiva, vai "debater" economia com Luciana Genro. Há uma lição aí...

De acordo com o blogueiro Carlos Mazza, do blog O Povo, haverá um "debate" entre Luciana Genro e Ciro Gomes no próximo dia 29. O tema desse "debate" será "Reinvenção da economia e as saídas para a crise", como se o próprio Ciro Gomes não tivesse defendido as políticas econômicas adotadas por Lula, justamente aquelas que causaram a crise atual.

A questão aqui, no entanto, não é economia. Já estamos carecas de saber que qualquer medida tomada por socialistas nesse ramo é destrutiva e que geralmente elas só pioram as coisas. O ponto, então, é o fato de que meses atrás Ciro Gomes arregou o debate com Rodrigo Saraiva, do Instituto Mises Brasil.

Na ocasião, circulava pelas redes sociais um vídeo no qual o ex-ministro petista afirmava, com todas as letras, que Escola Austríaca de economia é uma besteira, que era "coisa de idiota". No entanto ele não chegou a explanar o assunto, apenas rotulou. Não houve aprofundamento no tema. Aliás, Ciro chegou ao cúmulo de dizer, literalmente, que "não conhece e não gosta" de Escola Austríaca. Deste modo, Saraiva o desafiou publicamente para um debate. Ambos são do Ceará e há uma rixa antiga entre Ciro e os liberais, em virtude de um caso passado envolvendo Rodrigo Constantino.

Como já expliquei aqui diversas vezes, Ciro é um sujeito esperto. Ele sabe o que faz. Seu discurso criticando a Escola Austríaca tinha um só propósito: virar meme de internet para esquerdistas compartilharem a rodo. Foi exatamente o que aconteceu. Quando ele disse que EA é uma bobagem, ele fez naquele tom costumeiro, com ênfase, dando aos leigos no assunto a impressão de que sabe o que diz. Considerando que o nível de instrução dos brasileiros é geralmente baixo, inclusive entre os próprios liberais, não é tão difícil entender que muita gente acreditou no que ele disse. Ciro nem precisava provar seu ponto, porque aquilo não era um argumento, mas um rótulo.

Não subestimo Rodrigo Saraiva, acho-o um sujeito inteligente e me parece ser pessoa entendida no assunto. Mesmo assim, creio que Ciro poderia vencê-lo em um debate usando apenas sua malandragem habitual. O ex-ministro é um daqueles sofistas bons de lábia, e digo isso não apenas com base neste caso, mas em toda sua trajetória política. Ao dar entrevistas, Ciro fala as maiores besteiras do mundo sobre economia ou mesmo sobre direito, área na qual tem formação, e ele o faz com a maior cara lavada e com toda a convicção possível. Quem não entende muito do assunto tende a levá-lo a sério, e convenhamos que quase ninguém entende de assunto nenhum por aqui.

Como o objetivo de um debate não é ter razão, tampouco convencer o adversário disso, e sim vencer e conquistar a plateia, penso que Ciro teve um motivo racional do ponto de vista político para arregar esse debate: ele não teria vantagem nenhuma, não teria nada a ganhar.

Pense direito: Ele debateria com uma pessoa que certamente entende mais do assunto que ele, o que mesmo para um sofista é um risco. Depois disso, temos que pensar sempre no público alvo, que no caso seriam os liberais e os esquerdistas mais interessados no assunto. Assim como eu sei, certamente Ciro também sabe que ele iria até lá pregar para convertidos, e que o mesmo aconteceria com Saraiva. Ambos falariam, e não importa quem tivesse razão, no final os liberais continuariam apoiando Saraiva enquanto os esquerdistas continuariam o apoiando. O que ele ganharia assumindo, ainda, o risco de perder?

Já imaginou o vexame? Ciro Gomes, boçal e prepotente, sendo derrotado pelo Saraiva, um cara que nem é tão conhecido assim... Seria humilhante. Não quer dizer que Saraiva fosse mesmo vencer o debate, mas ele poderia. Se poderia vencer, e considerando os outros fatores aqui mencionados, então a situação era politicamente desfavorável para Ciro, por isso ele arregou.

Há, ainda, outra lição a ser aprendida por aqui: A esquerda, de modo geral, sempre quer ter o controle da situação, e nós deveríamos fazer o mesmo! Já tratei desse assunto no ano passado, quando foi organizado o Fórum da Liberdade e Democracia, e parte do que quero explicar aqui pode ser lida neste link

Veja bem... Vai rolar esse "debate" entre Ciro Gomes e Luciana Genro, não é? Todos nós sabemos que isso não é um debate de verdade, é uma conversa de comadres. Ambos defendem pontos de vistas com muito mais semelhanças do que diferenças. Além disso, ambos são prováveis candidatos à presidência no ano que vem, e todos sabem que o bastião da extrema-esquerda brasileira, o PT, está desmoronando. Qual a real finalidade desse evento? É obviamente a de fortalecer o movimento deles e, de quebra, fazerem com que o movimento de esquerda mais radical se reorganize sob a égide de gente como eles.

Sendo assim, eles não querem mesmo dar espaço para os adversários, não querem dar a oportunidade para que um rival político de verdade avance sobre o território político deles. E digo, aliás, que estão certos. Nós deveríamos fazer exatamente a mesma coisa. Eventos como o Fórum da Liberdade e Democracia jamais - repito: jamais - deveriam ser espaço para o contraditório. Este tipo de evento deveria servir apenas para fortalecer a causa liberal, deveria ser um ambiente focado no debate entre liberais, libertários, conservadores e democratas. Chamar para o evento gente como Ciro Gomes, ou escroques nacionalistas como Bolsonaro, é estupidez.

Liberais fazem esse tipo de coisa em nome de um senso ético tosco, acham que têm que ser plurais. No fundo, parece que gostam de auto-sabotagem. Ciro estava certo, do ponto de vista da vantagem política, em não debater com Saraiva, assim como está certo agora em participar de um evento de "debate" com Luciana Genro. O objetivo de um debate nunca foi a troca de ideias, só liberais acham que isso tem alguma utilidade prática.

As vantagens que os liberais tiveram, ao menos no caso de Ciro ter arregado, foi o controle da narrativa por um tempo. O ex-ministro, naquele mesmo vídeo, tinha dito que debateria o assunto com qualquer um, mas acabou não debatendo. Ou seja, ele exagerou, apostou alto demais ali. Há também o fato de que Ciro Gomes citando nominalmente a Escola Austríaca acabou dando maior visibilidade ao assunto, colocando no topo do Google Trends. Em seu lugar, eu não citaria o termo, falaria algo mais genérico para não dar notoriedade ao meu adversário.



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