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O descontentamento dos liberais e libertários com o próprio movimento é fácil de compreender

Para fins de registro, quando falo de "movimento libertário", tenho plena noção de que ele de fato não existe. O "movimento" em si é composto apenas por uma legião de idiotas online, dentre os quais 1 em cada mil exemplares da espécie são realmente respeitáveis. No entanto, chamarei isso de "movimento" para que fique mais fácil o entendimento a respeito dessa questão.

Tenho notado há mais ou menos um ano que o descontentamento dos próprios libertários e liberais, no caso os mais sensatos e coerentes, vem aumentando muito com o movimento. Muitas pessoas que se diziam libertárias há um ano ou mais estão se afastando dessa denominação, evitando dizer que fazem parte do grupo ou até mesmo dizendo que não são mais libertárias. O motivo é simples: Vergonha.

Não se trata de ter vergonha das ideias liberais-libertárias em si, mesmo porque uma ideologia não é necessariamente um conjunto fixo e estático de ideias prontas - não deveria, no caso. Trata-se de ter vergonha do próprio movimento, das pessoas que o compõem. É vergonha dos próprios libertários.

Quando figuras como Paulo Kogos, alguém que claramente tem problemas psicológicos e que evidentemente precisa de tratamento especializado, se tornam "ícones" libertários; quando frouxos do naipe de Joel Pinheiro viram símbolos da causa; quando sujeitos inexpressivos e totalmente irrelevantes como Fábio Ostermann viram "heróis" do movimento; sabe-se que a coisa está complicada.

Uma das mais recentes iniciativas liberais, o LIVRES, que surgiu de uma costela (a costela esquerda) do MBL, veio para jogar uma bela pá de cal em cima de um corpo que jazia em estágio de decomposição. A ideia não é ruim, a princípio. Formar uma corrente interna e tomar um pequeno partido, considerando as leis brasileiras, é muito mais fácil do que fundar um partido do zero. Ademais, a parada poderia dar muito certo. O problema central nesse projeto é que assim como quase tudo que liberais fazem, não houve nenhum tipo de entendimento sobre a realidade atual.

O que quero dizer é que os responsáveis pela ideia, que são em sua maioria left-libertarians ligados ao execrável Mercado Popular, acabaram tomando conta. Na página do PSL, no ano passado, diversos posts acabaram queimando o filme, em especial um no qual o grupo defendeu os black blocs que vandalizaram São Paulo, mencionando o caso de uma garota que supostamente perdeu um olho durante confrontos com a PM*. Por que eles fizeram isso? Para "criticar a violência do Estado"... Burrice, é claro.

Dentro daquele contexto, passar a mão na cabeça de quem ateou fogo em carros - particulares, diga-se, de quem vandalizou fachada de bancos, prédios residenciais e comerciais, trancou avenidas com pneus queimados e até tocou fogo em ônibus, não apenas é impróprio do ponto de vista tático, já que a população estava de fato aterrorizada com o caso, mas é também uma estupidez do próprio ponto de vista ideológico. Um liberal ou libertário que ache razoável fazer o que os black blocs fizeram sequer entendeu o que é ser um libertário. Causar danos à propriedade de alguém é grave, é algo que todos os libertários do mundo teriam que repudiar. Naquele evento, a ação da PM foi correta, pois ela tinha que proteger os cidadãos de uma violência generalizada!

Na ânsia de atacar "o Estado", o LIVRES se esqueceu de algo importante: Os black blocs não estavam lá em nome da liberdade, mas em nome do totalitarismo esquerdista, a pior forma de Estado que já existiu! Foi exatamente a partir desse dia que comecei a refletir minha posição diante do movimento, pois notei que não havia lá dentro pessoas íntegras e inteligentes, mas um monte de babacas arrogantes que querem apenas repetir jargões.

O MBL, por sua vez, tem sido o único movimento declaradamente liberal a atuar de forma eficaz nos últimos anos. Na realidade, é o único grupo que alcançou alguma coisa além da internet. Qual a reação dos liberais diante do MBL? Queixas tolas porque o movimento "não é puro o bastante", críticas porque o MBL colocou gente dentro da política, entre outras besteiras típicas.

A verdade, quer queiramos ou não, é que ideias puras não significam nada. Ser ou não ser a favor do aborto, ser ou não ser defensor do livre mercado, querer ou não o Estado mínimo, são todas questões totalmente irrelevantes se não há, além das ideias, ações práticas que façam com que essa ideias se tornem ao menos tangíveis. Liberais ficam perdendo tempo com conferências escrotas nas quais discutem a importância do livre mercado, mas isso é inútil. Você não precisa convencer outros liberais sobre isso, não precisa ficar lambendo as bolas de outros liberais e afagando o próprio ego. O que é necessário é organizar estas pessoas e dar a elas um destino, um caminho através do qual o tal livre mercado se tornará realidade. Caso contrário, é só perda de tempo.

Um amigo meu escreveu o seguinte:
"Não tenho mais expectativas com nada. Só cheguei à conclusão de tentar fazer alguma coisa no meio acadêmico mais como um registro, para ter algo publicado no assunto que não fosse na informalidade da internet. E foi justamente por isso que ocupei de falar do básico do Liberalismo e do Libertarianismo, sem entrar em questões polêmicas sem consenso ou totalmente hipotéticas como um "judiciário privado", por exemplo. É perda de tempo esses papos com jargões exclusivamente libertários sobre "como seria o PNA" ou devaneios do tipo.
Se as pessoas não entenderem que quanto mais burocratas decidindo sobre suas vidas as coisas serão piores, não adianta discutir nada com ninguém. É como prisioneiros condenados pela vida toda debatendo sobre se tornar astronauta. É preciso criar uma cultura de resistência contra a mentalidade estatista e o resto a gente decide depois, na base da democracia." (Davi Viveiros Sant'Anna)
Não acho que os liberais e libertários ainda ideologicamente cegos sejam capazes de compreender, mesmo porque eles estão extremamente ocupados com sua "rebeldia" e fazendo "enormes transgressões" ao Estado, tipo usar camisetas onde se lê "Foda-se o Estado", algo que faz com que os políticos "estremeçam de medo" (risos).

*Ainda sobre o caso da moça que supostamente perdeu o olho: Ela não foi diretamente atacada pela polícia, o que aconteceu, na realidade, é que uma bomba de efeito moral estourou e um dos estilhaços acertou-a na vista. Contudo, na época, a extrema-esquerda vendeu a ideia de que ela teria sido atingida por uma bala de borracha, o que é mentira.
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