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A direita precisa de um projeto sólido, não de ídolos!


Um dos maiores erros táticos da extrema-esquerda brasileira foi ter se aglutinado ao redor do petismo, e mais especificamente ao redor da figura de Lula, ao ponto em que boa parte dela já se tornou indissociável à imagem do PT. Hoje, graças a isso, quando as pessoas pensam em Jandira Feghali, pensam em Lula. Quando pensam em Jean Wyllys, Marina Silva, Ciro Gomes, pensam também em Lula. Eles estão conectados por suas trajetórias, mas também por conta do apoio mútuo que deram uns aos outros.

Por que isso foi, de certo modo, um erro?

Evidentemente essa aliança clara que há entre eles é fruto de interesses políticos, e disso não há dúvidas. O que pouca gente deve ter refletido enquanto ainda dava tempo de recuar é que Lula foi, durante todos estes anos, o único grande símbolo, o grande ídolo, e todos estavam abaixo dele, muitos ainda estão. Apesar de a esquerda ter uma cultura de longa data, diversos movimentos sociais e partidos, ainda assim ela é diretamente associada à figura de Lula porque deixou que isso acontecesse.

O problema nisso é que nenhum império dura para sempre. A extrema-esquerda foi hegemônica no país por alguns anos, mas seu reinado está chegando ao fim, seus líderes estão balançados. Nesse cenário, estar associado a Lula é um grande problema, problema este que afetou Jandira na corrida pela prefeitura do Rio, em que ela ficou na sétima colocação. Embora não seja do mesmo partido, todos sabem que Jandira e o próprio PCdoB são apenas mais uma sucursal de Lula e o PT. O grande erro na tática de se aglutinar em torno de um só símbolo é que quando ele se quebra não sobra muito o que aproveitar. E a direita brasileira está, neste exato momento, caminhando na mesma direção.

Em verdade, sendo justo, é só uma parte da direita, mas é uma parte grande, a metade talvez, que está com a ideia fixa de se aglutinar ao redor de Jair Bolsonaro, tendo-o como um grande símbolo da "verdadeira direita". Mesmo que fosse verdade, mesmo que Bolsonaro fosse mesmo um exímio e ilustre conservador - o que ele nem é - ainda assim ter isso como única estratégia é extremamente ineficaz.

A direita true está tentando forçar a pauta "Bolsonaro 2018" como se ela fosse a única pauta legítima, como se fosse a única bandeira válida. Naturalmente, os minions não fazem ideia do que está acontecendo. Boa parte deles age mais pelo culto da personalidade do que pela proposta em si. Mas os cabeças desse esquema são, de fato, sabotadores. Gente como Olavo de Carvalho, Allan dos Santos, Ítalo Lorenzon e outros estão por trás disso com a única finalidade de levar a direita para o buraco.

Se quisermos mesmo derrotar a esquerda será necessário muito mais do que eleger - ou tentar eleger - um presidente da República. Temos que criar uma cultura, temos que fortalecer os pequenos projetos, temos que ocupar terreno dentro da política, da mídia, das escolas e igrejas, exatamente como Gramsci propôs que a extrema-esquerda fizesse. Ela o fez e isso garantiu seu sucesso de forma quase atemporal.

Olavo, embora eventualmente diga essas coisas, não age de acordo. Gente como ele, ou mesmo como Bolsonaro, não possui real interesse em vencer a guerra cultural, para eles é necessário que a extrema-esquerda sempre esteja aí, porque é dela que estas figuras se alimentam. Se não houvesse a extrema-esquerda como ela é hoje, e se a direita fosse eficiente no combate aos radicais de esquerda, gente como Olavo de Carvalho passaria fome, esta é a verdade.

O objetivo por trás de toda essa idolatria é a sabotagem da direita, é uma forma de aglutinar todo o movimento em prol de uma só figura, um só homem sobre o qual temos todos os motivos do mundo para desconfiar, aquele que certamente, no futuro, se chegar ao poder, será a fonte original de nossa própria ruína tanto quanto Lula é a fonte da ruína de uma enorme parte da esquerda brasileira.

A direita, se quiser chegar a algum lugar, precisa de um projeto político e cultural sólido, não de ídolos. Se apostarmos todas as nossas fichas em um só jogador, vamos perder tudo quando ele fracassar - e todos estão fadados ao fracasso, o destino é implacável. Temos que criar uma base cultural e política sólida, algo que possa durar. 
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