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Análise tardia sobre as eleições americanas

Por que fazer uma análise tardia?

Há dois bons motivos, na verdade. O primeiro é que eu não tive tempo, na ocasião, de acompanhar tudo de perto. Via as notícias, lia algo a respeito de vez em quando, mas não pude naquele período me dedicar a entender o que estava acontecendo realmente. O outro motivo é que julguei, dada minha relativa surpresa com a vitória de Trump, que seria necessário fazer uma análise um pouco mais distante. No calor do momento, quando as informações ainda são frescas, por vezes não somos capazes de ver o todo. Para entender a realidade é necessário olhá-la um pouco mais de cima, e creio que agora seja o momento ideal.



Primeiramente, Trump venceu. Não foi uma vitória muito folgada, mas ainda assim foi uma vitória e isso significa que ele teve algum nível de acertos em sua estratégia. O caso é que o fenômeno Trump e sua eleição precisam de uma análise mais profunda, é preciso compreender o que realmente motivou a maioria dos americanos a o escolherem no atual cenário social e político. Algumas das razões? Os erros da própria esquerda mais radical e, em especial, o comportamento execrável dos pós-modernos.

A nova esquerda é, para a maioria das pessoas comuns, extremamente repulsiva. Nos últimos anos, devido ao exagero e aos avanços que tiveram no meio cultural, uma das principais conquistas da extrema-esquerda foi uma reação social explosiva contra tudo o que ela mesma criou. Os esquerdistas passaram boa parte das últimas décadas construindo uma auto-imagem de justiceiros sociais, de pessoas engajadas na luta pelo "bem" da sociedade, mas acabaram implodindo essa imagem colocando em seu lugar uma aberração que salta aos olhos de qualquer um: os Social Justice Warriors.

Hoje em dia não há mais quem suporte ouvir essas discussões sobre marchinhas de Carnaval "ofensivas", ou sobre como o comentário que alguém fez foi "machista e misógino", ou qualquer coisa relacionada a temas como racismo, xenofobia e discriminação de modo geral. A coisa ficou tão grave que até mesmo casos reais de racismo ou homofobia, casos que nada têm a ver com política, são vistos antecipadamente como mais uma artimanha desses grupos oportunistas. É tão clara a repulsa que as pessoas normais sentem por isso que já não tem mais como esconder. A guerra, antes travada apenas no submundo da política, agora atingiu aquele sujeito que não estava nem aí para nada, mas que ficou irritado com a frescura SJW sobre o filme X-Men: Apocalipse; atingiu também aquela pessoa outrora comum que não suporta mais ver feminista dando entrevista em programas da Rede Globo...

A extrema-esquerda tinha uma boa tática, estava colocando em curso aquilo que herdou de pensadores como Gramsci, Alinsky e outros, mas pecou pelo excesso. Por um bom tempo eles tiveram predominância, e se tivessem seguido com um pouco menos de pressa teriam a chance de colocar em prática o mais nefasto projeto de poder da história humana. Porem, esqueceram de medir a temperatura das ruas, esqueceram de conter o descontrole de suas próprias fileiras.

A situação estava claramente fora de controle quando a própria esquerda começou a ser vítima de si mesma, quando até mesmo pessoas declaradamente de esquerda começaram a apanhar dos justiceiros sociais por qualquer opinião boba ou comentário que fugisse das regras. O fascismo cultural virou um Frankenstein e resolveu matar quem o criou!

Esse fenômeno, entretanto, está longe de ser isolado. Não só no Brasil, mas em todo o ocidente o mesmo tem sido observado nos mais diversos países. A intransigência dos extremistas começou a atingir não apenas pessoas ligadas ao meio político, como era o objetivo inicial, e passou a afetar diretamente vidas de pessoas comuns, de gente que só quer viver em paz e sem incômodos. Foi aí que aconteceu o inevitável: o povo percebeu que precisaria reagir.

O que aconteceu com o petismo no Brasil tem, sim, um pouco a ver com os escândalos de corrupção, mas não é só isso. A vitória do BREXIT no Reino Unido, a vitória de Donald Trump e a clara ascensão de Marine Le Pen, na França, além do rancor crescente contra a imprensa mundial têm ligação direta com tudo isso. O momento atual é de uma evidente revolta contra o fascismo cultural promovido pela extrema-esquerda, e isso inclui todas as pautas dos movimentos LGBT, feminista, racial e pró imigração. A pressão que os SJW fizeram contra o povo foi tão insuportável que as pessoas estão, atualmente, forçando a barra na direção contrária, em um movimento frenético de empurra e puxa.

As eleições americanas são, de longe, o melhor exemplo recente de como o povo tem se sentido. Trump ganhou não por ser "de direita", nem mesmo por causa de seu programa. Isso até pode ter agradado algumas pessoas, mas o fato mesmo é que a maioria o elegeu sem fazer ideia do que ele pretende fazer - o que é comum, aliás, em qualquer eleição. Trump ganhou por seu comportamento, por ser alguém que teve coragem de dizer o que ninguém mais tinha coragem de dizer, até mesmo coisas estúpidas e absurdas em alguns casos. Outra razão para a vitória de Trump foi sua adversária, Hillary Clinton, que tinha uma rejeição gigantesca e que representava, em carne e osso, tudo aquilo de que o povo já estava saturado.

Votar em Trump foi, para muita gente, um ato de rebeldia contra o fascismo cultural da extrema-esquerda, foi uma forma de mandar para o inferno toda essa cultura doentia de tomar todos os cuidados do mundo para não ofender nenhuma "minoria". Votar em Trump foi, na realidade, um voto contra Hillary, contra a extrema-esquerda universitária, contra as feministas doentes e contra esse apoio absurdo ao islamismo. A situação chegou a um estado tão grave que Trump teria sido eleito de qualquer jeito, com ou sem plataforma, apenas por ter a coragem de não se importar em agradar essa gente canalha.

Trump cometeu vários erros, sim, e erros que em eleições passadas teriam lhe custado a amarga derrota. Em 2012 ou em 2008, com o que fez e disse, ele perderia para Barack Obama, e em 2000 jamais teria sido eleito como George W. Bush foi. Em 2016, no entanto, ele alcançou a vitória apenas por ser o homem certo na época certa. Provavelmente não foi por acaso, talvez ele seja até muito mais esperto do que parece.

No Brasil:

Infelizmente, nossa situação ainda é bem desfavorável. Temos aqui no Brasil uma direita estúpida que não entende, até agora, que nosso sistema político é diferente do americano, e que acredita que poderá repetir o feito de Donald Trump, se candidatando sem apoio partidário, contrariando toda a cúpula do Congresso e batendo de frente com tudo e com todos. Bom seria se esse tipo de coisa pudesse acontecer, mas não pode. Cada sociedade tem suas particularidades, e no Brasil não dá para fazer exatamente o que Trump fez, mesmo porque nossas leis não permitem candidaturas independentes, bem como permitem que um partido possa, a seu bel prazer, impedir que alguém seja candidato por ele, bastando apenas que os dirigentes assim decidam.

Nossa direita está acreditando que Bolsonaro é "o homem do momento", mas a julgar pelas suas estratégias, fica nítido que lhe falta entendimento de como isso aqui realmente funciona. Isso, é claro, sem mencionar o fato de que Trump é um bilionário muito poderoso e influente, enquanto o nobre deputado é um sujeito de classe média com a articulação política de um Rui Costa Pimenta. Se as coisas continuarem como estão, 2018 vai chegar e esse tolo sequer poderá se candidatar à presidência; caso ainda assim consiga, e se chegar a vencer - o que em seu caso é improvável, vai governar tanto quanto Dilma Rousseff em seu segundo mandato.

Bolsonaro até poderia ser o "homem certo" para o momento, ele poderia ser o Trump brasileiro. No entanto tem preferido ser uma versão burra do Enéas Carneiro, e como tal dificilmente chegará a vencer.
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