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Aprenda a debater (pt 3) - Ataque a reputação

"Em um debate político, o argumento não deve servir para derrotar o inimigo, mas para extirpá-lo da face da terra."

(Lênin)

Você até pode ter misericórdia daqueles que querem te degolar, mas eles vão te degolar assim mesmo. Talvez os liberais em geral não percebam, mas sua postura compreensiva e moralista é um resquício da ética cristã, e isso vale até mesmo para os ateus. Não tem nada errado ser ético na vida, mas na política é quase como suicídio.

A régua moral de nossos inimigos é diferente da nossa. Eles querem nossa destruição, querem que sejamos esmagados. Para eles não basta estarem no poder, não basta que tenham a maioria. Eles querem o todo, querem erradicar qualquer oposição. No caso, querem nos erradicar. Se deixarmos que façam, eles farão. É por isso que não devemos dar a outra face, mas os nossos punhos cerrados em vez disso.

Em um debate de cunho político - e isso vale até para uma discussão virtual - o objetivo deve ser ferir a reputação do adversário. Se possível, devemos ferir sua reputação não só com os nossos aliados, mas também com os aliados dele. Devemos procurar meios de enfraquecer sua imagem diante daqueles que o apoiam mais até do que para aqueles que o rejeitam.

O que quero dizer é que em vez de dizer que um socialista é alguém estúpido, que esta pessoa defende uma ideia que não vai dar certo, que ela apoia uma utopia, devemos dizer que o sujeito é perverso e que quer prejudicar as pessoas. Em vez de atacarmos suas qualidades técnicas, devemos atacar sua moral.

Uma boa forma de fazer com que seu inimigo perca o apoio de sua base, em especial quando se trata de políticos, é tentar jogar sobre ele o estigma de ser alguém que está apenas usando aquelas pessoas para seus objetivos pessoais, e que no fundo ele não está agindo em prol da causa, mas de si mesmo. Sempre que tiver a oportunidade de fazer com que os aliados de seu inimigo o vejam negativamente, faça. Temos que fazer a reputação do inimigo desmoronar.

Para garantir que nosso inimigo jamais consiga espaço entre as nossas próprias fileiras, devemos apelar ao medo, fazendo com que ele seja visto como alguém perverso disposto a qualquer coisa pelo poder. Para isso é necessário, muitas vezes, estimular o ódio. Se nossos apoiadores sentirem ódio pelo nosso inimigo comum, eles dificilmente ficarão contra nós, mesmo se discordarem de algo que fizermos, pois verão o opositor como alguém pior a ser enfrentado e levarão isso como uma prioridade. Tão importante quanto manter nossa reputação positiva entre quem nos segue é destruir a reputação adversária entre aqueles que o seguem.

Um ponto importante também precisa ser adicionado: É preciso saber como destruir a reputação do inimigo. Nem sempre aquilo que destruiria a nossa imagem servirá para destruir a dele. Um líder liberal ficaria em maus lençóis ao ser associado com a ditadura, por exemplo. É algo que soa contraditório, pega mal e faz com que os próprios liberais sintam receio ou vergonha em apoiá-lo. No caso de um líder nacionalista ou de um stalinista assumido, isso seria totalmente irrelevante.

Jair Bolsonaro, por exemplo, é conhecido por falar uma série de bobagens. Ele não é liberal, nem mesmo conservador, é só um nacionalista auto-proclamado de direita. Quando liberais o atacam enaltecendo o fato de ele ter apoiado a ditadura militar brasileira, ou mesmo expondo os comentários que ele fez contra homossexuais, é preciso entender que isso em nada o enfraquece. Ao contrário, isso até acaba o fortalecendo. O ponto forte de Bolsonaro é dizer essas coisas, e aqueles que o apoiam não o apoiam apesar deste tipo de conduta, mas justamente por ele ter esta conduta.

Um tipo de ataque que é válido para queimar o filme de pilantras como Bolsonaro ou Lula é atacar-lhes onde realmente dói. O "mito" se vangloria de sua honra, de sua moral supostamente cristã, de sua carreira ridícula no exército, e muitos de seus seguidores podem ficar decepcionados em saber que durante a década de 90 inteira, e até mesmo no início da década passada, o sujeito em questão apoiou os comunistas brasileiros no Congresso e chegou a apoiar abertamente figurões como o próprio Lula e Ciro Gomes. Isso é, de fato, um ataque eficaz à sua reputação. Muitos de seus seguidores não vão aceitar o fato, pois são fanáticos, mas isso pode servir para que aqueles seguidores mais racionais comecem a vê-lo como ele realmente é: um trapaceiro mentiroso!

Com Lula, por exemplo, não funciona chamá-lo de cachaceiro, analfabeto ou corrupto. Aliás, ser analfabeto e beber cachaça é o que o aproxima do "povo", é o que ele se orgulha por fazê-lo ter uma imagem mais "popular". A corrupção de Lula é outro ponto que pouco o afeta, pois já é fato conhecido. Pode até servir para que algumas pessoas realmente bem intencionadas não o elejam, mas é totalmente inútil como arma para fazê-lo perder seguidores.

Por outro lado, mostrar as trairagens que Lula cometeu contra os próprios comunistas, mostrar suas alianças escusas com FHC, expor o fato de que ele delatava colegas do movimento durante o Regime Militar, isso pode funcionar, pois fere sua reputação exatamente onde dói.

EXCEÇÃO:

Evite o exagero caricato. Quando você vê esses malucos intervencionistas atacando os esquerdistas, normalmente eles atacam a moral, mas o fazem de forma exagerada e estúpida, por vezes dando a impressão de que são apenas um bando de alucinados. É preciso ter bom senso, é necessário pensar direito naquilo que será dito. Alguns termos, aliás, podem até ser evitados em público. Chamar petistas de "comunistas" é desnecessário, mas chamá-los de extremistas radicais pode ser uma boa em algumas situações.


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