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Aprenda a debater (pt 6) - Preocupe-se em cativar a plateia e antagonize seu interlocutor

Certa vez um colega me disse que eu não deveria antagonizar tanto meus oponentes, que o certo seria buscar uma abordagem metade agressiva e metade compassiva, procurando apontar os erros dele, mas também enaltecer seus "pontos positivos".

Meu colega não é burro, é apenas leigo sobre política. Ele é, na realidade, um excelente vendedor, e por isso sua tática obviamente é boa naquilo que ele faz, que é vender. Clientes e vendedores não podem antagonizar uns com os outros, é necessário que o vendedor procure sempre contornar objeções e mostrar compreensão com o cliente para que a venda dê certo. Na política, entretanto, é diferente.

Quando estamos em situação de debate, e se o público que nos acompanha pode ser cativado, o maior esforço deve ser no sentido de mostrar que somos totalmente diferentes do oponente, obviamente dando a ele características negativas e a nós as qualidades positivas.

Muitas pessoas de direita, porém, têm um tremendo defeito: achar que podem converter o interlocutor e esquecer que esse não é sequer o objetivo! Em um debate, esqueça o interlocutor. O objetivo não é ter razão, é vencer, conquistar quem assiste o debate e fazer com que seu adversário perca o crédito. Acreditar que está lá para converter o inimigo é o equivalente a contratar um pedófilo para exercer o papel de babá. É óbvio que não vai dar certo.

No debate, temos que antagonizar, temos que polarizar o quanto for possível. Para isso dar certo é necessário evitar ao máximo qualquer tipo de concordância com o adversário. Se ele disser duas coisas boas e uma ruim, ignore as boas e foque apenas na ruim, dando destaque a ela. Se ele tiver razão em algum assunto e você não puder confrontá-lo, confronte-o em outro, mas jamais dê a ele qualquer trégua.

Se o objetivo maior de todos é cativar a plateia, você deve mostrar como seu adversário é ruim e como ele é mal intencionado, devendo-se mostrar sempre como alguém moralmente superior, exatamente como abordei no terceiro texto dessa série, sobre atacar a reputação.

EXCEÇÃO:

Há uma das regras no livro "As 48 Leis do Poder" que gosto muito, e ela diz que devemos usar a honestidade e a generosidade seletivas para desarmar um oponente. Esta regra se aplica aqui como exceção.

Quando um adversário é visto naturalmente como alguém agressivo e belicoso, talvez haja algumas brechas para que você conquiste o público mostrando uma dose menor de agressividade, talvez até utilizando certo nível de cinismo. Um exemplo que posso dar aqui é o de João Dória, que em um debate foi atacado por Luiza Erundina de forma direta e agressiva, mas por estar diante de uma idosa com claros problemas éticos que não inspira o respeito de ninguém ele preferiu uma reação mais amistosa, mostrando compreensão (falsa, é claro) das críticas que recebeu e, ao mesmo tempo, não deixando de rebater os ataques, ainda que de forma serena, sem usar de tom agressivo.

Dória fez tudo isso com um leve sorriso no rosto, cuja intenção óbvia é mostrar segurança e desestabilizar o oponente. Porém, em outra situação, quando atacado novamente por Erundina e também por Fernando Haddad, o atual prefeito de São Paulo demonstrou mais veemência na resposta e rotulou seus adversários de forma agressiva. Ele fez isso por ter o feeling necessário para entender a situação, agindo na medida certa.

A propósito, João Dória já leu este livro...
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