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Jair não será o nosso Trump e os fãs precisam começar a entender isso enquanto ainda há tempo


Vamos partir do seguinte pressuposto:

- Em 2018 haverá eleição para presidente da República, ela será decisiva na história do país e nossa única opção é Jair Bolsonaro.

Não concordo com essa ideia, acho que as eleições de 2018 serão tão decisivas quanto quaisquer outras, provavelmente serão até menos decisivas do que as de 2014. Também não concordo que Bolsonaro seja nossa "única opção". Contudo, vamos adotar esta premissa para fins de raciocínio lógico, coisa que ultimamente anda meio difícil de se ver do lado dos fãs do deputado.

Muitos fãs do deputado têm feito comparações entre Bolsonaro e Donald Trump, mas isto é um erro. Os dois possuem muito mais diferenças do que semelhanças.

Um dos fatores expressamente ignorados pelos fãs do deputado brasileiro é que Trump, além de ser um bilionário, é também um sujeito com muita influência, muitos contatos e é, além de tudo, alguém que sabe como o sistema funciona. Trump foi ligado ao Partido Democrata por bastante tempo, chegou a doar dinheiro para a Clinton Foundation, foi até colega pessoal de Bill e apoiou candidaturas Democratas por anos. Bolsonaro, por outro lado, é um sujeito de classe média que, até onde se sabe, nunca foi corrupto. Se ele não foi corrupto, o que é um ponto a seu favor, ao mesmo tempo não é alguém que conhece muito bem o sistema e nem mesmo é alguém com muita influência. Isso nem é uma questão de opinião, trata-se de um fato notório que Jair Bolsonaro não possui 1% da influência política de alguém como Trump, sem falar na influência financeira, que é incomparável.

Dito isso, sabemos que o americano poderia bancar toda sua campanha do seu próprio bolso, com ou sem ajuda de patrocinadores. Aliás, foi exatamente isso que ele fez. Trump teve ótimos publicitários, teve gente eficiente escrevendo seus discursos e teve muita propaganda. Além disso, o slogan "Make America Great Again" é de uma genialidade ímpar. Bolsonaro, por outro lado, não possui nenhum desses atributos. Segundo fontes próximas ele sequer dá ouvidos aos seus próprios assessores.

Há também outro fator de extrema relevância, que é o cenário. Nos EUA, embora existam outros partidos, as eleições nacionais praticamente se dividem entre Republicanos e Democratas desde a primeira fase. No começo, são escolhidos os candidatos que vão concorrer por cada um dos partidos, esta é a fase das "primárias", que é quando os candidatos de dentro do próprio partido debatem entre si e fazem campanha pelo país para que seja escolhido quem disputará a eleição final. Trump, por exemplo, derrotou cada um de seus concorrentes desde esta fase. Ben Carson, Ted Cruz, Jeb Bush e outros foram caindo e, no fim, ele reinou. Quando ocorreram as eleições finais, havia uma escolha clara: o totalitarismo e a corrupção de Hillary de um lado, e do outro lado o cinismo e a canastrice de Trump. O povo preferiu Trump - eu também preferiria, aliás.

No Brasil a coisa é totalmente diferente. Aqui não exista a fase das primárias, para começar. Em vez disso a eleição é dividida em dois turnos, sendo que o primeiro turno é onde concorrem diversos partidos com diversos candidatos. Na última eleição, por exemplo, só entre principais candidatos havia quatro, e três deles possuíam chances reais de vitória. Em um cenário assim, um candidato a mais ou a menos modifica tudo. Se Eduardo Campos não tivesse morrido - ou sido morto, digamos - em 2014, antes das eleições, quem garante que o PT teria sido reeleito?

2018 ainda está um pouco longe de acontecer, e por hora não sabemos quem serão realmente os candidatos e nem como será a disputa. E se o PMDB lançar uma candidatura própria? E se, em vez de o PSDB lançar candidatura própria, ele decidir ser vice na chapa de outro partido? E se Lula for preso até lá? E se Ciro Gomes e Marina formarem uma chapa? E, é claro, a pergunta mais relevante de todas: E se Bolsonaro não conseguir a aprovação do partido para concorrer à presidência?

Os fãs devem se lembrar que em 2014, por exemplo, Bolsonaro supostamente pretendia concorrer à presidência. O PP, seu partido na época, não aceitou e preferiu apoiar Dilma Rousseff. Esta foi, aliás, a desculpa que ele próprio deu para não concorrer à presidência. O PSC, partido no qual ele está atualmente, também foi aliado do PT até o início de 2014 e só saiu da base de Dilma quando Pastor Everaldo quis concorrer. O que garante que o partido vá, de fato, querer Bolsonaro concorrendo à presidência? Dá para perceber, devido a acontecimentos recentes, que o partido não apoia Bolsonaro, e é bem provável que só tenham aceitado sua entrada na legenda por ele ser um deputado que puxa muitos votos, o que é vantajoso para qualquer partido devido ao coeficiente eleitoral, uma regra que só vale para candidaturas parlamentares - exceto o Senado.

Outro partido pelo qual Bolsonaro tem cogitado é o PR. Não custa lembrar, no entanto, que o PR foi criado a partir da fusão mais esquisita do mundo entre o PRONA, de orientação nacionalista, e o PL, de orientação supostamente liberal. Desde sua criação, o PR serviu aos interesses petistas, tendo inclusive José Alencar, vice de Lula, como seu membro mais conhecido. O deputado federal Tiririca, por exemplo, é do PR, assim como Magno Malta. Este último, por sua vez, já esboçou interesse em uma candidatura para a presidência, e ele foi um senador extremamente bem votado no Espírito Santo.

Trump conseguiu ser candidato apesar da contrariedade de muitos figurões de seu partido. Bolsonaro, entretanto, não poderá repetir o mesmo feito. Sem um partido que o apoie, ele não será candidato e ponto final. É assim que funciona no Brasil.

Tudo isso, no fim das contas, só quer dizer que a "estratégia" de Bolsonaro, de se isolar e contar com seus seguidores na internet, os mesmos que não foram capazes de encher uma Kombi nas manifestações do ano passado em prol do deputado, é um péssimo plano. Os fãs do deputado precisam parar de agir como criancinhas e, se realmente acreditam que ele deva ser o candidato do ano que vem, devem começar a cobrar dele uma postura tática e adulta.
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