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O erro de Holiday é pequeno, mas pode lhe custar muito caro...

A última grande polêmica envolvendo o MBL aconteceu por conta de um voto dado por Fernando Holiday, que é hoje vereador em São Paulo. Ele teria votado no candidato do PT, vereador Senival Moura, para o cargo de presidente da Comissão de Transportes.

É evidente que muitas críticas foram feitas por oportunistas, como é o caso de Eduardo Bolsonaro, um homem que não possui absolutamente nenhuma moral para atacar Holiday. Mesmo assim, não dá para ignorar que a ação de Holiday foi equivocada, e é isso que pretendo explicar aqui.

Há uma justificativa razoável para o ato do vereador. Ele apenas cumpriu o tradicional acordo das comissões, em que os partidos combinam entre si. Tanto é verdade que Eduardo Suplicy votou em um candidato do PSDB para presidir outra comissão. Sendo assim, o voto de Holiday não seria decisivo de qualquer jeito, o que significa que se ele votasse contra ou a favor não faria mesmo a menor diferença.



O problema é que uma boa parte da Guerra Política está em ações simbólicas, não em atos efetivos. Muita gente idolatra a família Bolsonaro exatamente por isso. Nenhum dos quatro jamais fez qualquer coisa eficiente ou útil em todos esses anos na política. Nenhum deles até hoje foi eficaz no combate à esquerda radical. Nenhum deles sequer chegou perto de fazer cócegas no PT. Nunca foram uma ameaça real aos petistas e seu projeto de poder. Porém, uma coisa eles sempre fizeram: ações simbólicas. Sim, ações totalmente inócuas, mas simbólicas.

Quando Jair Bolsonaro foi falar na votação do impeachment de Dilma, ele aproveitou a chance para homenagear Ustra. No vídeo, é possível ver Eduardo Bolsonaro logo atrás repetindo em voz baixa as palavras do pai. A atitude não foi nada eficiente, em vez disso até serviu para fortalecer narrativas esquerdistas que chamavam o impeachment de golpe e que acusavam os defensores da queda de Dilma de serem adeptos da Ditadura Militar. Mesmo assim, esse ato simbólico e ridiculamente inútil serviu para fortalecer sua imagem entre aqueles que já o idolatram. Foi exatamente o mesmo que aconteceu quando ele deu aquela saudosa entrevista antes de quase presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. 

Isso tudo, no fim, significa que uma parte importante da política está também nas ações simbólicas. João Dória poderia fazer exatamente aquilo que faz, mas sem a parte teatral e midiática, sem a genial ideia de sair uma vez por semana limpando a cidade pessoalmente, talvez seus feitos passassem despercebidos.

Holiday é um rapaz inteligente, mas ainda não tem todas as experiências necessárias e a malandragem da política. Para manter a imagem positiva entre seus seguidores e seus mais de 48 mil eleitores seria necessário ter pensado nisso. Ele deveria, mesmo que fosse inútil de todo, se mostrar rebelde ao partido e votar de modo independente ou mesmo não votar. Com sua atitude, tanto a esquerda quanto a direita true tiveram munição para atacá-lo, o que é uma pena. Todos os seus feitos positivos até aqui podem ser simplesmente esquecidos no subconsciente dos direitistas mais ingênuos que o apoiam e substituído por "um vereador liberal que votou em um petista"...

Bolsonaro também já votou em petistas, e não foi uma vez só. Quem leu o dossiê que está aí no site sabe do que estou falando. A diferença é que na época que Bolsonaro fez isso a internet ainda engatinhava no Brasil, então sua ação repercutiu muito pouco em sua imagem. Se fosse hoje em dia ele seria "linchado" moralmente.

ADENDO:

Pouco tempo após meu artigo, Fernando Holiday publicou um vídeo com um esclarecimento sobre a situação. Como foi dito aqui, sua atitude não foi em nenhum aspecto um "acordo com o PT", mas o mero cumprimento de uma formalidade, algo que é comum nas comissões. Continuo acreditando que teria sido melhor ele não dar essa brecha, mas vamos aguardar para ver os resultados disso. Certamente houve um racha - a meu ver necessário e talvez definitivo - entre a neo-direita, os direitistas true, e o pessoal do MBL. Acho até que isso deveria ter ocorrido antes, bem antes. Abaixo, a resposta de Holiday em suas próprias palavras.


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