Header Ads

Tudo o que você precisa saber sobre a treta entre Joice e Reinaldo


Talvez você tenha aberto este artigo para saber detalhes sobre a briga entre Reinaldo Azevedo e Joice Hasselmann, achando que eu viria aqui tomar partido nessa discussão. Talvez você tenha vindo buscar detalhes técnicos ou fatos que outros veículos não mostraram. Se for este o caso, sinto muito desapontá-lo. Não farei nada disso.

Sendo bem franco, eu mesmo mal acompanhei o caso. Li uns comentários por aí, vi um trecho de um vídeo do Reinaldo Azevedo e é só. Nada mais. Não foi por falta de tempo, mas de interesse. Essa briguinha entre os dois é muito mais que política, é pessoal. Pelos comentários feitos deu para perceber que existe algum nível de tensão profissional entre ambos desde o tempo em que trabalharam juntos na Veja. Quando vi o que estava acontecendo percebi algo que Luciano Ayan postou em seu site: a coisa toda virou um Fla-Flu, mas ninguém estava realmente disposto a analisar os fatos.

Aqui, não vou falar exatamente das motivações de cada um, pois as desconheço, mas quero chamar atenção para fatos anteriores que deveriam ser de conhecimento de quem acompanha o trabalho de ambos.

Primeiramente, Reinaldo nunca foi um conservador ou um liberal de verdade, embora até chegasse a dizer isso em seus discursos. Ele era mais um anti-petista com viés social-democrata. Como bem disse meu amigo Octávio Henrique, qualquer pessoa que realmente conhecesse o trabalho de Reinaldo e que tivesse lido alguns de seus livros ou textos mais antigos saberia disso, bem como saberia de seus posicionamentos contra certas ações da Operação Lava-Jato. Seu "grande pecado" foi ter criticado a Lava-Jato em um momento no qual, mais uma vez, a direita escolheu seus "heróis". É como se ele tivesse criticado Joaquim Barbosa em 2013, quando o mesmo condenou os réus do Mensalão. 

Quem elegeu o colunista ao patamar de "representante da direita" foi a própria esquerda, em especial a esquerda mais radical para quem até Arnaldo Jabor é "ultra-conservador". Muitos de nós, da direita, caímos nessa conversa e colocamos Reinaldo em um pedestal. Eu, obviamente, não fiz isso em momento algum porque não tenho ídolos, sou iconoclasta de nascença. Contudo, muitos amigos meus passaram anos lambendo as bolas do Tio Rei para, de uns tempos para cá, ficarem decepcionados com a "guinada dele à esquerda"... Patético, para dizer o mínimo.

Joice Hasselmann, por sua vez, é e sempre foi uma jornalista bem chinfrim. Recentemente cometeu um "erro" ridículo acusando falsamente a filha de Luis Nassif de ter organizado protestos em NY, o que rapidamente serviu para reforçar a narrativa das fake news criada pela extrema-esquerda. Outro detalhe importante é que uma das coisas ditas por Reinaldo, justamente no trecho que assisti de um vídeo dele, é verdade. Joice já foi mesmo processada por plagiar outros jornalistas, o que é bem ruim para a imagem da direita.

O que a blogueira tem de bom, além de sua beleza física - neste ponto ela realmente vence Reinaldo Azevedo com destreza - é a proximidade com pessoas do alto escalão da política, o que torna possível que ela traga algumas entrevistas relevantes com figurões do poder. Tirando isso, sobra muito pouco. Quem elegeu Joice ao patamar de "representante da direita" foi ela própria, foi uma auto-proclamação, mas não há méritos para que ela seja idolatrada como é por tantos.

O que quero dizer, no fim das contas, é que falta maturidade à direita. Como escrevi ontem em uma pequena nota na página, direitistas possuem o péssimo costume de ter ídolos demais e de escolher estes ídolos segundo critérios altamente questionáveis. Toda essa discussão entre ambos não é necessária apenas porque, do ponto de vista tático, nosso foco deve ser outro. Devemos nos preocupar em criar um projeto político sólido, organizado e de longo prazo, algo que vá surtir algum tipo de efeito prático. Essas divergências vão surgir e, quando surgirem, devem ser tratadas como a esquerda faz entre os seus: com foco no que realmente importa.

Ao contrário do que muitos direitistas pensam e dizem, nos grupos da extrema-esquerda há muitas divergências e eles vivem quebrando o pau. Tudo isso, no entanto, é resolvido de forma realista. Na hora do que realmente importa, na hora da ação, eles se unem em prol da pauta. É por isso que apesar das frequentes divergências entre comunistas ortodoxos e pós-modernos, ou entre PCdoB e PSTU, quando é necessário dar o voto decisivo, a escolha final, eles acabam escolhendo uns aos outros.

Nas eleições passadas, quando esquerdistas perceberam a eminente chance de vitória de Russomanno (no fim, foi o Dória, mas as pesquisas diziam o contrário) e Marcelo Crivella, surgiram blogueiros espertos sugerindo uma união entre os partidos para garantir que pelo menos conseguissem arrastar para o segundo turno. No Rio, por exemplo, deu certo. A turma toda acabou forçando o voto em Marcelo Freixo e deixou de lado Jandira Feghali, enquanto o que naturalmente aconteceria seria ambos dividirem votos e darem a vitória para Crivella de bandeja. Em São Paulo a tática só não deu certo porque Dória atropelou todos feito um trem, sem dar nenhuma chance. Nem se juntassem todos os votos válidos dos concorrentes Dória perderia.

A direita verdadeira do Brasil é extremamente desorganizada e perde mais tempo atacando os poucos grupos que se uniram em prol de suas pautas do que criando outros movimentos concorrentes. Enquanto a esquerda tem 32 dos 36 partidos existentes no Brasil, sendo que 9 estão entre os 10 maiores do país, a direita tem mal e porcamente dois partidos e um ainda é totalmente fisiológico. Enquanto a esquerda tem incontáveis ONGs, movimentos sociais, institutos e núcleos, a direita tem meia dúzia e estes ainda ficam perdendo tempo com guerrinha de egos. Enquanto a esquerda tem milhares de jornalistas infiltrados na imprensa, a direita tem cinco, seis ou sete, se muito, e quando eles começam a se bicar entre si os tolos correm para encampar terreno e levantar bandeira.

Reinaldo Azevedo talvez não seja mesmo um direitista legítimo, mas isso pouco importa. Ele é útil para algumas coisas e devemos aproveitar dele o que interessa, descartando o que não serve para nada. O mesmo vale para Joice Hasselmann e até para Olavo de Carvalho. Essa direita, liberal ou conservadora, precisa acordar para a vida real e parar de querer ter ídolos demais, parar de elevar todos a condição de "líderes". Isso ainda vai nos matar.

Internamente, devemos focar em críticas táticas. Quando Bolsonaro fizer alguma coisa realmente útil, por exemplo, um liberal deve apoiar a ação, mesmo que não queira apoiar o deputado. O mesmo vale para a proposta de Rogério Peninha, a PL 3722. Pouco importa se ele é um "conservador" ou um "liberal de verdade", só o que importa é que a proposta é útil aos nossos interesses.

There's only the fight.
'; (function() { var dsq = document.createElement('script'); dsq.type = 'text/javascript'; dsq.async = true; dsq.src = '//' + disqus_shortname + '.disqus.com/embed.js'; (document.getElementsByTagName('head')[0] || document.getElementsByTagName('body')[0]).appendChild(dsq); })();
Tecnologia do Blogger.