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Bobbio vs. Scruton: Como tratar seus inimigos


O artigo que escrevi ontem a respeito dos intelectuais de direita e o fato de serem, em sua maioria, moralistas puritanos - o que não é, a priori, uma crítica, mas uma constatação, teve uma ótima repercussão e a aceitação foi até maior do que imaginei. Diante disso, resolvi continuar a questão e para tal creio que seja pertinente fazer uma comparação. 

Já que no artigo anterior mencionei nominalmente o filósofo Roger Scruton, um conservador, desta vez pretendo compará-lo a Norberto Bobbio, um intelectual socialista. Quero, com isso, mostrar a expressiva diferença no tratamento que cada um dá aos seus adversários. Vamos lá...

O intelectual de esquerda é tipicamente um jacobino. Acredita que o mundo é deficiente em sabedoria e justiça, e que a falha reside não na natureza humana, mas nos sistemas de poder estabelecidos. Ele se opõe ao poder estabelecido, como o defensor da 'justiça social' que retificará a antiga queixa dos oprimidos. (SCRUTON, Roger - Pensadores da Nova Esquerda)

Acima, temos um resumo daquilo que Scruton pensa sobre esquerdistas. Abaixo, o que Norberto Bobbio pensa a respeito da direita:

 O fascista fala o tempo todo em corrupção. Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta e agride, como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso comum, um sociopata que faz carreira na política. No poder, essa direita não hesita em torturar, estuprar e roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos. Mais do que a corrupção, o fascista pratica a maldade. (BOBBIO, Norberto - Do fascismo à democracia)

Analise os destaques que fiz em ambos os comentários. Percebe a imensa diferença? O conservador trata o esquerdista como alguém bem intencionado, mas incoerente e, de certa forma, estúpido. Scruton ensina seus seguidores que esquerdistas são apenas pessoas mal informadas, que lutam por justiça social e contra a opressão de "forma errada". Bobbio, que também foi filósofo, faz exatamente o que propus no artigo de ontem. Ele trata do direitista, em primeiro lugar, chamando-o de fascista. Depois, deixa claro que o direitista é mal, perverso e que é um criminoso. Este é o ponto.

A mentalidade esquerdista é exatamente esta. Eles não nos veem como meros adversários, não nos veem como "gente que pensa diferente". Para eles, somos inimigos, e o simples fato de defendermos a liberdade de expressão ou o liberalismo de mercado já é, na visão deles, um crime. Os esquerdistas possuem em suas colunas uma imensa variedade de intelectuais, dos mais variados ramos, mas é consenso quase geral entre eles que nós somos alvos a serem combatidos. É por isso que tolices como "debate de ideias", algo que os liberais insistem em tentar, nunca funcionam com a esquerda. Ela simplesmente não deseja isso.

Muitos já devem ter esquecido, mas Mauro Iasi, líder do PCB, esteve em palestra há poucos anos (2015, se não me falha a memória) e disse diante de professores, alunos e até políticos que os conservadores e a direita deveriam ser tratados a base de bala, recitando um poema de Bertold Brecht, outro pensador socialista, que defendia o extermínio daqueles que se opõem ao ideal comunista. Simples assim.

Novamente, repito, não estou criticando o trabalho de Scruton, é apenas uma constatação. Ele é um grande filósofo e tem excelentes contribuições culturais para a direita. O ponto é que falta, do nosso lado, intelectuais capazes de desenvolver pensamento tático. Hoje, um dos poucos que fazem isso e têm notoriedade é David Horowitz. O próprio Olavo de Carvalho teria plenas capacidades para fazer esse trabalho, mas o foco dele é outro e, frequentemente, cai em contradições táticas nesse sentido.
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