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Perguntaram se eu acredito nas instituições. A resposta é...


Dias atrás me questionaram sobre eu acreditar ou não nas instituições, tais como o poder judiciário, o Congresso Nacional, o Ministério Público, etc., para restaurar a ordem e colocar as coisas no eixo. Eu respondi que não. De fato, não acredito mesmo. Diante disso, o sujeito questionou: "Então por que você não é a favor da intervenção militar?" Ao que respondi: "Não seria o exército uma instituição tanto quanto as demais citadas?"

Não houve discussão, ele não voltou mais depois disso. Mesmo assim, gostaria de continuar esse assunto, pois o considero importante. As pessoas que defendem de forma genuína uma intervenção militar, achando que esta seria a solução perfeita para os problemas, esquecem que o exército é apenas mais uma instituição pública como qualquer outra. É certo que algumas regras sejam diferentes, mas no geral, ainda assim, rola política lá dentro.

Para se ter uma ideia, muitas das indicações feitas para promover um militar ocorrem por razões totalmente políticas ou por troca de favores. É bem difícil para um soldado raso, alguém que entrou nas forças armadas pela porta da frente, chegar a se tornar um oficial. Conheci ótimos soldados que nunca chegaram nem perto disso, mas também conheci quem tenha se tornado capitão sem ter ao menos participado de qualquer missão na vida. 

Isso, de qualquer forma, não é relevante. O que realmente importa é que as forças armadas são apenas uma parte do sistema, uma engrenagem. Soldados obedecem ordens e a verdadeira questão é: "Quem dá as ordens?" Em governos comunistas, foram os soldados que executaram as ordens na hora de matar pessoas inocentes. Na ditadura de Hugo Chávez e Nicolás Maduro foi o exército que os ajudou a permanecer no poder. Aliás, boa parte dos piores ditadores da história vieram do meio militar, como é o caso de Fidel Castro ou o de Joseph Stalin. Eles não eram membros da "classe política", eram soldados tanto quanto qualquer outro.

Se, no entanto, quisermos falar do Regime Militar brasileiro, o último, o de 1964 a 1985, até podemos admitir que não foi algo tão repressor assim, ao menos não tanto quanto dizem. Eu, pelo menos, não chegaria a comparar o período com qualquer regime comunista da história, porque isso seria uma equivalência moral que não existe. Ainda assim, quais foram os resultados práticos?

Assumindo que, talvez, os militares tivessem boas intenções, o que eu duvido, o que eles efetivamente conquistaram com o golpe - ou contragolpe, como preferir - foi nada além de 21 anos de estagnação. No final, quando tudo acabou, as mesmíssimas pessoas que estavam no poder continuaram no poder. Os grandes coronéis da política brasileira, por exemplo, já eram políticos naquela época, muitos deles faziam oposição ao regime, mas ninguém saiu enfraquecido de lá senão o próprio Regime Militar. 

Como se isso não bastasse, os militares ainda criaram coisas nefastas como o BNDES, através do qual o PT conseguiu desviar bilhões de reais dos cofres públicos e alimentar seu projeto de poder. Isso, ainda, sem mencionar a sindicalização obrigatória, que também foi criada durante o regime, e o ensino escolar obrigatório. Tudo isso, é claro, é usado pela própria esquerda há muito tempo. É o ganha-pão de muita gente suja.

Do ponto de vista prático, quão eficiente foi o Regime Militar no "combate ao comunismo"? De zero a dez, não chegaria a três. Talvez esse saldo seja até negativo, pois tudo indica que o regime fortaleceu os comunistas muito mais no longo prazo.

Agora, voltando ao ponto inicial, de fato eu não acredito nas instituições, e isso inclui também as forças armadas. A única coisa na qual acredito é na descentralização de poder. Quanto menos poder dermos aos políticos e ao estamento político de modo geral (o que inclui, também, o Exército Brasileiro), melhores serão as nossas chances de lutar contra qualquer tirania. Se sujeitos como Enéas Carneiro tivessem chegado ao poder na década de 1990, hoje estaríamos em situação similar a da Venezuela, pois ele aparelharia de tal forma o poder da sociedade nas mãos do Governo Federal que bastaria um pequeno movimento político da extrema-esquerda para assumir o trono e transformar isso aqui em um "paraíso" socialista.


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