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Por que entrei de cabeça na guerra política?

Quando comecei esse projeto, há quase três anos, não tinha grandes pretensões. No início seria mais um blog para expor minhas ideias e ver quem iria segui-las ou criticá-las. O tempo passou e vi a necessidade urgente de me engajar mais profundamente, foi quando resolvi apostar mais alto, me expor mais e me dedicar em tempo quase integral a escrever. Pouca gente sabe, mas um acontecimento em 2015 foi o que mais me motivou a continuar nessa luta, e aqui quero relatá-lo.

História:

Em meados de 2015, o Movimento Negro Maria Laura, daqui de Joinville, publicou uma nota em sua página no Facebook na qual colocou fotos de uma professora do primário, profissional de um escola particular no centro da cidade. Na foto, a professora estava em uma festa junina, trajada com roupas típicas desses eventos, e com o rosto pintado de preto em virtude do personagem, que era uma "Namoradeira de Minas". O movimento a acusou de racismo, disse que ela estaria fazendo o tal "blackface", e com isso a expôs a um constrangimento absurdo.

Na ocasião, o grupo não apenas expôs a foto, mas também deu dados dela, tais como nome e local de trabalho. Tal postura revoltou muita gente, pois era evidente que a professora não foi racista e que tudo não passava de uma brincadeira inocente. Mesmo assim, algumas pessoas ligadas a movimentos extremistas passaram a ameaçá-la, a persegui-la e a exigir que a instituição a demitisse.

Vale observar alguns detalhes muito importantes nisso tudo. O primeiro deles é que a tal professora não é engajada em política, trata-se de uma profissional comum que dá aulas para o primário em uma escola de cultura mais conservadora. O segundo detalhe é que a escola na qual esta professora trabalha já foi alvo da extrema-esquerda em outras ocasiões, o que mostra um histórico de perseguição política baseado no simples fato de que a instituição não se curva aos interesses destes grupos.

O caso, então, repercutiu, virou assunto de jornais locais. Meus amigos e eu ficamos sabendo pela internet, ficamos muito revoltados, discutimos com alguns babacas do movimento na página deles. Eu mesmo cheguei a fazer ataques diretos ao movimento nas redes sociais, o que acabou me dando certa notoriedade por eu ser negro.

No começo, ficou por isso mesmo, até que um amigo meu, o Igor, lá de Florianópolis, me cobrou uma postura mais enérgica, dizendo que eu deveria me envolver nisso. A professora estava desesperada, não só pelo risco de perder o emprego, mas também pela imagem, pelo dano a moral dela e de sua família e até pelas ameaças recebidas. Quem não estaria? O que fizeram com ela foi terror psicológico, e tudo isso motivado por um único fato: a escola na qual ela trabalha.

Se você ainda não entendeu, vou explicar:

Estamos falando de uma pessoa honesta, uma boa profissional, alguém que faz aquilo que é paga para fazer - ou seja, ensinar crianças - com amor e competência, uma mãe de família, tendo sua vida pessoal e profissional destruída por covardes, facínoras e canalhas da pior estirpe. É disso que estamos falando!

Quando me dei conta dos fatos, imediatamente me coloquei em outra posição, que seria a de um filho, pois minha mãe também é professora do primário. Foi nesse momento que percebi o óbvio: a vítima era ela, mas poderia ser minha mãe, ou minha tia, ou minha esposa. Poderia ser qualquer pessoa, enfim. Depois que destruíssem a professora, depois que a deixassem sem emprego e psicologicamente abalada, o que eles fariam? Queimariam algum herege em uma fogueira? Matariam alguém que estivesse usando turbante? Atirariam em um rapaz branco de dreadlocks? 

Nesse dia eu percebi o que era essencial na guerra política: proteger pessoas inocentes e destruir canalhas. Foi nesse dia que percebi que se ninguém fizesse nada, se ninguém tentasse impedi-los, eles não iriam parar. A escola chegou a se desculpar (pelo quê?) e mesmo assim não adiantou, os ataques continuaram e até se intensificaram. Eles queriam sangue, eram hienas em busca de alguém mais frágil para atacar em bando.

Como forma de ajudar esta professora e, indiretamente, também ajudar a mim mesmo, redigi uma nota de apoio a ela, em nome da SEDS, e entreguei pessoalmente na escola, nas mãos da diretora, solicitando que a instituição não a demitisse ou afastasse por isso. Aproveitei o ensejo e conversei por mais de uma hora com a direção, expliquei para eles o que realmente estava acontecendo e quais eram as motivações de tudo aquilo. A diretora se sentiu muito grata pela minha ação, mas o que fiz não foi nada demais, qualquer pessoa poderia ter feito o mesmo, mas simplesmente ninguém tinha feito até então.

Outra coisa que fiz foi enviar um artigo para o Diário Catarinense, jornal local, no qual malhei o pau no movimento negro e expus a canalhice dele. Em resposta, sabem o que o Movimento Negro Maria Laura fez? Nada! Em vez disso, pediram para um sujeito de São Paulo enviar um texto para o jornal "em resposta" ao que escrevi, sendo que o imbecil nem sabia dos fatos sobre o ocorrido aqui.

Dias depois fui convidado a um debate na televisão local. Sabem quem do Movimento Negro Maria Laura foi até lá? Ninguém! O movimento simplesmente recuou, chegou a excluir as postagens que tinha feito contra a professora nas redes sociais. Em vez de comparecerem ao debate, os covardes enviaram uma professora da Faculdade do PSOL, também conhecida como Bom Jesus Ielusc. Ou seja, enviaram uma mulher de classe média, branca e que nem era parte do movimento em questão. Simplesmente não tiveram coragem de mandar qualquer representante para debater comigo.

Conclusão:

Não sei se graças ao que fiz, mas gosto de pensar que sim, a professora se livrou dessa numa boa. Infelizmente, apesar de minhas recomendações, ela não processou o movimento, provavelmente porque não queria ou não podia gastar com os advogados. De qualquer forma ela está bem, manteve seu emprego e hoje em dia, creio, nem pensa mais sobre o assunto, pois não é engajada em política, mas apenas alguém que quer viver sua vida numa boa.

Contudo, esse caso me abriu os olhos. Foi nessa época que percebi que não havia mesmo a menor condição de dialogar com esse tipo de gente. Foi a partir disso que me aprofundei muito mais na guerra política, porque percebi que se as pessoas continuassem não reagindo, se elas continuassem guardando suas revoltas como uma maioria silenciosa, estas "minorias" acabariam tomando conta de tudo e, cedo ou tarde, as vítimas não seriam mais "os outros", mas nós mesmos.

Hoje o movimento negro da cidade está bem quietinho no canto dele, nunca mais ouvi falar de nada que tenha feito. Membros do grupo passam por mim pela rua e até me cumprimentam. Não sofri retaliação, mesmo porque eles não poderiam lidar comigo. De qualquer forma, esse caso me ensinou a necessidade de agir.

Tenho um filho que é pequeno, ainda, e ele vai crescer. Não tenho qualquer interesse em vê-lo se criar no meio de uma sociedade imunda, imoral e calhorda, cheia de pilantras de todo tipo em toda parte. Se faço o que faço, é porque no passado quem poderia ter feito não fez. Talvez, no futuro, meu trabalho e o de pessoas como eu não seja mais necessário, mas até lá estou sujando minhas mãos e não estou nem aí para as consequências. 

Quando disse que a guerra política para mim é pessoal, não era brincadeira. Mais do que para qualquer liberal, minha luta é intensa e profunda em prol da liberdade, e estou disposto a sacrificar a minha própria se for preciso.

"To secure peace is to prepare for war."
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