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O moralismo na política é uma âncora amarrada aos pés da princesa que se pretende salvar

É necessário, antes de qualquer coisa, distinguir a moral do moralismo. São de fato coisas distintas. A moral é o conjunto de princípios nos quais acreditamos e os quais desejamos seguir; o moralismo é um comportamento, uma postura em termos de atitude. O moralismo é o formalismo moral. Ser moralista, portanto, não é necessariamente uma qualidade, mas certamente pode ser um defeito, especialmente quando tratamos de política.

A raiz do moralismo na política está no purismo ideológico, o que é extremamente comum entre direitistas, especialmente liberais. Isso ocorre porque o direitista possui um arcabouço ético que é trabalhado intelectualmente, mas também porque as teses liberais e conservadoras costumam ser demasiadamente inocentes e distantes da realidade prática.


Um exemplo de moralismo na política é a noção persistente dos liberais que, sempre ao se referirem aos seus adversários mais ferrenhos, como os socialistas, insistem em tratá-los não como adversários perigosos, mas como criancinhas tolas e mal informadas. Esse moralismo, no sentido de não querer enxergar ou admitir a maldade alheia por acreditar que "ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão", no fundo não passa de pura prepotência.

Venho há muitos anos sugerindo uma mudança de postura, mas realmente não creio que ela acontecerá. Quando sugiro aos liberais essa mudança, insinuando que eles devam ser menos tolerantes com o inimigo e que devem abrir mão de certos princípios morais ao lidarem com eles, muitos veem isso como algo totalmente absurdo, alguns até já disseram que eu não seria um liberal de verdade.

O moralismo da direita é, neste caso, uma âncora amarrada aos pés da princesa que se pretende salvar. O moralista político não vê que ao lidar com seu inimigo segundo os seus próprios princípios morais ele, no fim, acaba violando estes mesmos princípios. Se um liberal não age de forma efetiva para combater e neutralizar um socialista, então ele não está de fato agindo em prol da ética liberal. Pelo contrário, aliás, ele a está violando.

Traçando um paralelo, o liberal que se preocupa em ser ético e não eficiente no combate às esquerdas é similar ao policial que, podendo impedir um estupro atirando no estuprador, opta por voltar ao carro e chamar reforços apenas para cumprir o protocolo. Enquanto ele volta para o carro, a vítima continua a ser estuprada e o estuprador ainda tem tempo de escapar. Seguir o protocolo, portanto, surte um efeito inverso ao que se deseja.

O que quero dizer, no fim das contas, é que agir moralmente contra inimigos imorais é um ato imoral. A ineficiência do ato perverte seu significado.
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