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Ad hominem é desejável e às vezes necessário

Primeiro, vamos definir de forma clara o que é argumentum ad hominem.

O ad hominem não é um xingamento. Se em uma discussão você disser que seu interlocutor é imbecil, isso não caracteriza ad hominem algum, é apenas uma ofensa. Claro que você tem também todo o direito de ofender, mas isso não vem ao caso. A falácia ad hominem ocorre quando em vez de argumentar com base no enunciado você argumenta com base no enunciador, naquele que disse o que foi dito, o sujeito em si.

Um exemplo que posso dar aqui é o de um rapaz obeso falando sobre nutrição. Ele chega para um grupo de pessoas e começa a discursar a respeito de alimentação saudável, de quais tipos de comida devemos ou não devemos comer e de como isso afeta nosso peso, nossa disposição, etc. Então alguém entre os presentes se levanta e diz: "Cara, você é obeso. Você não é referência para falar sobre nutrição."

É verdade. O sujeito é obeso e, de fato, não é referência em nutrição e saúde. Ainda assim, a reação ao que foi dito se qualifica como falácia ad hominem, pois o argumento apresentado pelo rapaz obeso não foi em momento algum desqualificado, mas tão somente a sua pessoa. 

Aristóteles tinha uma definição simples sobre isso. Ele dizia que a falácia é qualquer enunciado ou raciocínio falso que, entretanto, simula a veracidade. Só que Aristóteles era filósofo, por isso sua abordagem se enquadra perfeitamente para a filosofia, cujo objetivo maior é discutir o mundo e a realidade conforme a razão. Na política essa questão é completamente diferente.

Qual é, então, o objetivo real da política? É ocupar terreno e, acima de tudo, vencer adversários ou inimigos. É disso que se trata. Para fins políticos, então, ter razão é secundário. É bom ter razão, mas isso não nos garantirá a vitória. É por isso que em discussões política não adianta nada estarmos certos, precisamos antes de qualquer coisa treinar a retórica para convencer o público de que somos a melhor opção para ele. Sendo assim, diferente de como ocorre na filosofia, muitas vezes uma falácia pode e até deve ser empregada, e este é o caso do ad hominem.

Imagine-se na seguinte situação:

- Você está em um debate ao vivo, na televisão, contra duas pessoas. A pessoa A é um advogado de "direitos humanos" filiado ao PSOL. A pessoa B é um estuprador condenado que cumpriu 20% da pena e agora cumpre condicional, mas está livre. O tema em debate é, justamente, as penas adequadas para quem comete o crime de estupro.

Ali você tem dois sujeitos que querem que as penas sejam brandas, que usam do discurso fajuto de que "estuprador também é gente" e dizem que ele deve ser tratado com dignidade, de preferência em alguma clínica médica, por ser um sujeito com perturbações. Qual seria a reação correta diante disso?

O correto, aí, seria que você se posicionasse sem nem mesmo entrar no tema ali debatido, porque isso seria entrar em um terreno que os favorece. Em vez disso, você pode usar o ad hominem, afirmando que ambos defendem seus próprios interesses e que não há sentido trazer o estuprador para discutir qual a pena adequada ao estupro. Você pode e deve simplesmente ignorar qualquer argumento apresentado e partir para este ataque moral, tanto por ele ser condizente com a realidade como também por ser, provavelmente, suficiente para lhe garantir uma vitória moral perante o público. Quem haverá de discordar disso?

O mesmo ocorre, por exemplo, quando liberais vão discutir com comunistas sobre economia, política ou qualquer assunto relacionado. Eles normalmente discutem o assunto, mas os comunistas não querem saber disso. Para eles é bem mais útil apontar os liberais como monstros que querem tirar os direitos dos trabalhadores. Neste caso, a única diferença é que eles estão mentindo, mas o ad hominem ocorre do mesmo jeito. Eles fazem isso porque é algo útil, porque funciona, porque o discurso vende. Eles não ligam se é verdade ou não.

Nós, liberais ou libertários, naturalmente não vamos mentir, esta não é a nossa índole. No entanto podemos cometer esta falácia dizendo somente a verdade, desde que seja devidamente empregada.


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