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Sobre a inevitável derrota da atual direita e apostas para o futuro

Sendo honesto e aparentemente pessimista, mas também muito realista, é certo dizer que a atual direita, se considerarmos aqueles que são a sua "vanguarda", não tem a menor possibilidade de dar certo. 

Trata-se de um movimento sem rumo, sem projetos e totalmente desprovido de inteligência na luta pelo poder, e este movimento enfrenta uma esquerda radical que joga e jogo e não larga o osso. É algo como esperar que o mais preguiçoso time de futebol do mundo, composto por alcoólatras gordos, vença uma partida contra o Manchester United. Simplesmente não vai acontecer. Contudo, temos uma esperança no futuro (sempre o futuro) que pode vir da juventude atual.


As novas gerações têm um humor ácido e uma postura rebelde, que não é muito diferente das anteriores, exceto por um pequeno detalhe: atualmente, o status quo é de esquerda. Enquanto na época de nossos pais ser de esquerda era motivo de vergonha, o que fazia com que jovens entrassem nesse mundo para enfrentar "a sociedade", hoje é exatamente o inverso. Ser de esquerda se tornou "cool".

Programas de TV, jornais e até canais de humor trabalharam nos últimos anos para tentar forçar as pautas regressistas, e agora a esquerda deixou de ser marginal para se tornar o próprio sistema. Qualquer tolo sabe que vivemos em um país cujo sistema é algo muito mais próximo da URSS do que da Suíça, e isso é visto a olhos nus. Os jovens, na sanha de enfrentar seus professores, seus pais e até aqueles jornalistas falando abobrinhas, acabaram por pender para o nosso lado.

Hoje, ser de direita é ser "marginal", é sair da zona de conforto para bater de frente com os donos do poder. Ser conservador é considerado quase um crime. Se um jovem se disser cristão fervoroso no meio dos amigos da faculdade ele provavelmente será considerado um louco ou, na pior hipótese, um inimigo. Tudo isso, no fim das contas, é bom.

Esta geração sarcástica, iconoclasta e provocadora, capaz de produzir memes infinitos sobre comunismo e fome, capaz até de construir narrativas para sacanear os poderosos sem se preocupar com as consequências, no momento está do nosso lado. Nunca a juventude esteve tão inclinada à direita, ainda que muitas vezes de modo inconsciente. As críticas ao capitalismo são vistas por esta geração como ridículas, e por isso são quase sempre alvo de chacota. Ser de direita, portanto, se tornou símbolo da luta pela liberdade de expressão, uma marca que a esquerda, outrora descolada e agora cafona, tentava manter consigo até pouco tempo.

Não é por acaso que a comédia stand up tenha se tornado tão popular no Brasil, ainda que seja uma coisa antiga e muito conhecida no exterior. O caso, aqui, é que agora a esquerda é vista como símbolo do atraso e da censura, ao mesmo tempo é vista também como truculenta por querer estabelecer padrões inaceitáveis a qualquer pessoa de bom senso. Se apenas meia dúzia de intelectuais habilidosos tiver essa consciência, é possível criar a partir de agora um movimento totalmente novo focado, basicamente, na luta pelo direito de ser irreverente e desbocado.

Se a esquerda pratica censura - e ela sempre praticou - cabe a nós promovermos a liberdade de expressão não apenas como bandeira, mas como principal luta contra os totalitários. O politicamente correto - fascismo cultural - se desgastou a tal ponto que agora os jovens sentem um desejo profundo de provocar estes autoritários que querem calar quem diz o que pensa. Sendo assim, pessoas que em outra época não se incomodariam com feministas, hoje fazem questão de criticá-las apenas para provocar a fúria cômica do outro lado.

Verdade seja dita, para a atual direita não há qualquer caminho viável. Não importa o que aconteça no ano que vem, nós vamos perder. O movimento ficou esse tempo todo preocupado com as eleições de 2018, e por isso esqueceu do agora, das coisas que são primárias e que precisavam ser feitas enquanto ainda havia tempo. A extrema-esquerda, que tomou muitas surras no ano passado, mesmo fora do poder já causa estragos nefastos e obtém, novamente, o controle da situação. Como foi dito antes, não dá para esperar que velhos gordos e bêbados vençam um time da Champions League em campo. O que nos resta, portanto, é manter vivo esse sentimento de revolta e fúria contra os dogmas esquerdistas.

A produção de conteúdo humorístico anti-esquerda é tão elevada que nossos inimigos nem conseguem mais reagir a altura. Neste campo, temos larga vantagem. Basta aproveitarmos isso a nosso favor e largarmos mão da atual direita enquanto tentamos lutar apenas pela sobrevivência, porque é só o que resta ser feito.

Declaro, para todos os fins, que oficialmente largo mão dos movimentos de direita atuais. Eles nem mesmo merecem chegar ao poder porque simplesmente não lutam por isso. Salvo raras exceções, como o caso do MBL, não há um só grupo de direita no Brasil hoje que se esforce minimamente para atingir seus objetivos, de modo que se aliar a eles é uma completa perda de tempo e energia. Discutir se Janot e Fachin são ou não dois crápulas é por si só inaceitável, é uma discussão que nem mesmo deveria acontecer pela obviedade dos fatos. 

A fé da atual direita no judiciário e a esperança burra em um futuro melhor é apenas patética, indigna de qualquer respeito ou consideração. Da mesma forma, a insistência em tolos como Bolsonaro é um erro tão primário que chega a ser absurdo alguém ter que dizer isso. Aliás, mesmo quando é dito de forma alta e clara, a reação é sempre a mesma: resistência.

Um grupo que não quer ouvir a verdade e melhorar em suas falhas merece perecer, assim como tudo o que é vivo. Por isso estes grupos não têm mais o meu apoio, nem mesmo apoio tático, porque não há tática alguma em andamento, há somente histeria e burrice.
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