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Entrevista de Joesley Batista à Veja mostra a decadência do nosso jornalismo


Disse uma vez George Orwell: 

Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.

A entrevista de Joesley Batista para a Veja é um sintoma do que se convencionou a chamar de jornalismo aqui no Brasil. Na realidade, poderíamos claramente chamar isso de publicidade e não haveria mentira aí, pois o que foi feito é uma evidente propaganda em prol da JBS, uma companhia gigantesca que roubou milhões de brasileiros através dos governos corruptos do PT e seus aliados.

Os jornalistas simplesmente fizeram com que o empresário corrupto e criminoso confesso pudesse parecer um santo arrependido. Não houve confronto, nenhuma pergunta contundente ou mesmo provocação, como seria de se esperar do trabalho de um jornalista de verdade. Também não houve qualquer questionamento moral sobre o fato de que Joesley só aceitou delatar seus crimes e de seus comparsas após fechar um acordo suspeito, um acordo através do qual sairia impune.

Supondo que Joesley tivesse mesmo se arrependido de seus crimes, e considerando que é bilionário, certamente ele teria feito algo parecido com o que fez Roberto Jefferson ou mesmo outros criminosos como Marcelo Odebrecht, que aliás está preso por ter cometido menos crimes do que o dono da JBS.

Aqui, aliás, a questão não é apenas dinheiro. Trata-se de vidas. Os crimes de Joesley vão muito além do fato de ele ter recebido recursos ilícitos e vantagens políticas. A JBS se tornou a gigante da carne durante os governos Lula e Dilma, e é importante frisar que ela esmagou concorrentes através de vantagens desleais. Como empresários de menor porte no ramo da carne poderiam competir com alguém que tem informação privilegiada, dinheiro jorrando pelas beiradas e uma linha direta com os presidentes da República e uma legião de senadores e deputados?

Impossível, não é?

Isso significa, portanto, que Joesley não prejudicou este país apenas por ter roubado um pouco de dinheiro aqui ou ali, mas principalmente por ter atuado em um sistema no qual sua empresa jamais teria chegado aonde chegou sem seus inúmeros esquemas e acordos ilícitos.

A Veja, no entanto, deu margem aos seus leitores para que Joesley fosse interpretado como herói, como um redimido, como alguém que botou a mão na consciência e resolveu "fazer a coisa certa". Obviamente isso só pode levantar suspeitas. A quem interessa que Joesley seja visto de forma tão positiva? Certamente alguém que não quer que a JBS caia em desgraça.
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