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MBL tardou a chutar Bolsonaro, mas levou sorte por não ter sido chutado primeiro

Como muitos já sabem, tenho grande apreço pelo trabalho do MBL, embora sempre tenha mantido algumas ressalvas. No entanto, vinha notando uma tática ruim do movimento nestes últimos meses, mais especialmente a partir do início deste ano.

Logo no começo do ano, o abutre Eduardo Bolsonaro usou aquela postagem mentirosa do BuzzFeed para atacar Fernando Holiday, e ele o fez apenas para atingir o MBL e fazer moral com seus mais fiéis seguidores. Se houvesse no Brasil uma direita realmente honesta e organizada o deputado teria sido eternamente rechaçado por ato tão mesquinho, uma vez que usar uma postagem fake do BuzzFeed para atacar um potencial aliado seria não só de uma grande estupidez, mas também de uma total ausência de caráter.


Contudo, como se pode ver nos últimos dias, caráter não é lá o forte da família Bolsonaro. Desde o incidente com Fernando Holiday venho alertando membros do MBL sobre a necessidade urgente de se preparar para lidar com um inimigo pior* do que a extrema-esquerda: a "direita true". Este não tão pequeno grupo, representado por gente ligada ao deputado e também a Olavo de Carvalho, vem sabotando os projetos da direita há um bom tempo, e quando o MBL tomou protagonismo em muitas frentes eles perceberam a necessidade mesquinha e oportunista de atacar o grupo de forma contínua e organizada.

Desde meados do ano passado venho observando um movimento desta gente: o foco deles mudou. Se antes estavam preocupados com comunistas até embaixo da cama, de repente passaram a ver no MBL um inimigo fundamental. Não por questões práticas ou ideológicas, mas porque o movimento ganhou corpo e manteve relevância após o impeachment de Dilma Rousseff.

Nos grupos mantidos por bolsominions no Facebook e no Whatsapp a ordem era clara: atacar o MBL diuturnamente, sempre que possível, com ou sem razões, para minar a moral do grupo perante os mais jovens. A preocupação era claramente a de detonar a imagem do movimento e torná-lo indesejável pelos "novos direitistas", aqueles que ainda estão começando a estudar e aprender como as coisas funcionam na política atual.

Dentro destes grupos, fiz minha pesquisa de campo. Observei-os por meses, coletei dados e conclui, há bastante tempo, que havia gente diretamente ligada aos Bolsonaro participando disso. Ou seja, não era apenas uma "atitude de moleques", nada aleatório. Tratava-se de uma Operação, um trabalho bem organizado, feito em equipe e com direção. 

Informei isso para membros da liderança do MBL já há algum tempo, e nada. Um dos estrategistas do grupo, cujo nome não relevarei, chegou a me dizer que a melhor estratégia para o movimento era se manter distante da treta e até mesmo fazer concessões aos Bolsonaro, dando a eles apoio em algumas situações. Eu fui contra. Sugeri que partissem para o ataque direto e parassem de perder tempo com pessoas que não iriam ajudá-los em hipótese alguma, ou então a alternativa seria apenas isolá-los, o que também serviria para tornar a situação toda menos constrangedora.

Como de costume, não quiseram me ouvir, e agora tudo piorou em um nível no qual fica bem claro que não há retorno. O que de verdade ocorreu é que a família Bolsonaro agiu pelas costas do movimento, fingindo querer seu apoio, quando na realidade articulava nos bastidores para destruí-lo. Enquanto isso o MBL ficou na defensiva, apanhando dia e noite por longos meses, e no final não colheu fruto algum. Os líderes do movimento foram arrogantes demais para perceber que a tática deles só funcionaria se, em vez de ocorrer o que ocorreu, os Bolsonaro e sua gangue fossem estúpidos o bastante para não entenderem o que estava rolando.

Para a sorte do MBL, de fato Bolsonaro e sua turma não são providos da maior inteligência possível. Sendo assim, em vez de tomarem proveito da situação para pisotear o movimento, como de fato queriam fazer, acabaram se empolgando demais e ejacularam antes da hora.  Tudo veio a tona muito rápido e, é claro, eu tinha razão. Não porque soubesse de todos os detalhes, mas porque tudo isso era bastante óbvio.

A tática de morde e assopra usada pelo MBL - e que foi defendida abertamente por Luciano Ayan - no fim não lhes serviu para nada, só os enfraqueceu. Enquanto estiveram apanhando, perderam apoio e moral perante pessoas que poderiam querer ingressar no grupo Agora, tarde demais, resolveram tomar uma providência e estão finalmente agindo, mas teria sido mil vezes melhor que tivessem percebido essa realidade antes. Ainda que Bolsonaro não seja nenhum gênio, é preciso compreender que ninguém fica como deputado federal por seis mandatos consecutivos se não tiver algum nível de malandragem.

Este caso, no fim, pode ter servido de lição para o movimento. Quem sabe, no futuro, troquem a arrogância pelo caminho da observação. Analisar friamente a conjuntura política requer atenção, esperteza e acima de tudo um pouco de paciência. Quando se está no topo - e o MBL esteve no topo e talvez ainda esteja - os holofotes ficam sobre nós, e é normal que isso atraia inveja, ódio e até mesmo desejo de vingança.

Daqui em diante tudo será mais simples. Agora o MBL decidiu chutá-los de uma vez e isso pode servir para que aprendam a não ficar subestimando a canalhice alheia. Fato é que eu avisei, e quem avisa amigo é.

*A "direita true" é um inimigo pior do que a extrema-esquerda porque ela se organiza fingindo lutar pelos nossos interesses, mas na prática só age em prol de destruir qualquer projeto político realmente sério.
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